Laboratório Pop

Berlim: O Brasil está bem representado na Panorama

13 fev 2014 / 3 comentários / em Cinema / por

daniel

por Myrna Silveira Brandão, de Berlim

O diretor Daniel Ribeiro está de volta à Berlinale, onde em 2008 ganhou o Urso de Cristal com seu primeiro curta-metragem, “Café com leite”, que também foi premiado nos festivais de Turim e Miami, além de ter ganhado o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

 

Em 2010, ele também esteve aqui participando do Berlinale Talents Schipt Station – laboratório que acontece durante o festival –  com o roteiro de seu primeiro longa  “Hoje eu quero voltar sozinho” que, nesta edição, foi selecionado para a Panorama, a paralela mais importante do evento.

 

O  filme – que concorre ao Prêmio de Audiência –  é a história de Leonardo (Ghilherme Lobo),  um jovem deficiente visual que busca a independência e lida com as descobertas da adolescência. Sua vida  muda completamente após conhecer Gabriel (Fabio Audi).

 

O tema do hossexualismo é tratado com discrição e delicadeza e os protagonistas tem um ótimo desempenho.

 

Em entrevista ao Laboratório Pop – antes da  sessão de gala –  Ribeiro disse que a origem do filme é seu segundo curta-metragem, “Eu não quero voltar sozinho”.

 

“Ele pode ser considerado quase um piloto deste. A premissa é a mesma, sobre a vida de Leonardo um garoto cego, que tem uma grande mudança quando começa a se relacionar com Gabriel, um colega da escola. O plot parecia um dramalhão: um cego que se descobre gay, mas a ideia era tratar as duas coisas como não problemas. O que me interessava eram os dilemas de alguém que é cego e se apaixona”, explicou Ribeiro ressalvando que os filmes são bem diferentes.

 

“A premissa do longa-metragem é a mesma do curta, mas é como se fosse um reboot. É tudo bem diferente: novos personagens, novos conflitos, nova maneira da relação se desenvolver. Sempre pensei em projetos diferentes, pois sabía que demoraría a captar, que os atores iam crescer e assim por diante. Claro, que tem cenas que são parecidas. E tem muita coisa que havia copiado do roteiro e que não entrou na  montagem porque pareceria infantil”, contou o diretor que, após ganhar o edital de desenvolvimento, passou três meses dedicado à elaboração do roteiro, um dos pontos altos do filme.

 

“Fui maturando o roteiro na minha cabeça e depois revi todo o projeto.  No curta, o garoto cego não queria voltar sozinho porque estava apaixonado. No longa, por entrar as figuras da avó e da mãe que é superprotetora, Leonardo queria poder poder voltar sozinho, porque aquilo significa indenpendência”, ressaltou.

 

A temática gay tem sido recorrente na obra de Ribeiro, que está lançando seu terceiro filme com esse viés. Para ele, isso aconteceu de forma muito natural, decorrente de uma lacuna sentida quando era adolescente.

 

“A primeira razão de trabalhar o tema é porque sou gay e queria contar histórias de personagens que não eram retratados. Eu era adolescente nos anos 1990,  quase não tinha filmes que mostrassem gays e muitos jovens nessa condição querem ser ver retratados”, afirma Ribeiro manifestando sua satisfação com a seleção para a Berlinale.

 

“Lançar o meu primeiro longa em Berlim é muito simbólico, já que foi onde meu primeiro curta estreou internacionalmente e ganhou um prêmio. Eu tenho um carinho muito grande pelo festival e pela cidade, então não poderia ter lugar melhor para começar a carreira deste filme”, disse Ribeiro que espera uma boa receptividade do público da Panorama.

 

“Normalmente eu não gosto de criar muita expectativa, mas sinto que ‘Hoje eu quero voltar sozinho’ é um filme que pode gerar discussões interessantes. Principalmente para essa plateia do festival que pode odiar ou amar um filme, mas acima de tudo, está aberta para ver coisas novas”, afirma o diretor que, no momento, quer se dedicar inteiramente ao filme.

 

“Tudo que quero agora é mostrá-lo ao mundo. No Brasil, deve chegar comercialmente, via Vitrine Filmes, no primeiro semestre do ano que vem, antes da Copa.Tenho várias ideias de filmes e séries, mas precisam ser colocadas no papel e agora estou todo focado no filme”, conclui.

3 comentários:

  1. Jeannie disse:

    What a plaseure to find someone who thinks through the issues

  2. Crasnic disse:

    I like both versions. Maybe after vieiwng REDUX several times I’ll have a different opinion…I’m such a Leslie fan and so enjoy watching him on a big screen that I didnt mind(though I did notice) the so so quality of the flashbacks.hi again ytsl,I would rather hear actors speak in their own voices than be dubbed so everyone speaks the same language. It takes a while to get used to and I’m always vaguely aware that one actor is speaking Cantonese, etc and the other Mandarin, etc but I don’t let it bother me too much.I also will be happy to know the answer to your Carina question. And a little embarassed I didn’t pay closer attention. Hi Glenn,I was interested in Brigitte Lin and didn’t think Doyle was obnoxious as much as just talking too much when ‘Miss Lin” could be speaking.

  3. Mahmod disse:

    Oh, wow, Girish.I just click on your site and what the hell do I find?Thanks so much; honestly I don’t bonleg in such phenomenally august company. Especially not now, considering that I totally missed HALF NELSON, THE SCIENCE OF SLEEP, HEADING SOUTH, and slept through my alarm and missed DAY NIGHT DAY NIGHT at TIFF. (I could go on…)But still, I really appreciated the too-kind words, and especially for directing me/us to all that great stuff from Zach, Durgnat, Martin, and Mf6ller.

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