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Berlinale 2016: A sociedade com fratura exposta

22 fev 2016 / Sem comentários / em Cinema / por

uni

 

Myrna Silveira Brandão, de Berlim

 

Os últimos filmes mostrados na competição oficial também abordaram os males e turbulências da sociedade contemporânea. “United States of Love”, de Tomasz Wasilewski – que representa a Polônia na Mostra Oficial do Festival de Berlim – é mais um que fala dos dramas do ser humano tendo o panorama político nos bastidores. O filme  foi recebido com aplausos para o diretor do aclamado “Arranha-céus Flutuantes” (2013).

 

O novo filme de Wasilewski é ambientado na Polônia nos anos 1990, logo após o fim do regime comunista, quando os ventos da mudança parecem indicar anos de euforia da liberdade, mas também a incerteza do futuro.

 

Nesse cenário, quatro mulheres de diferentes idades (Magdalena Cielecka, Julia Kijowska, Dorota Kolak e Marta Nieradkiewicz ) decidem mudar suas vidas, buscar a independência, lutar por sua felicidade e encontrar novos caminhos para os seus sonhos e desejos.

 

Wasilewski disse que “United States of Love” é um filme sobre o universo feminino.

 

“Eu escolhi este ângulo porque o ponto de vista de uma mulher me interessa particularmente e há bastante tempo eu queria abordar o tema”, ressaltou Wasilewski, destacando que o cenário é um ponto chave da produção.

 

“A trama de “United States of Love” se desenrola num contexto social e político importante que coloca a ênfase em um momento específico da história. Mas é também um reflexo dos estados emocionais de mulheres que, na minha opinião, foram mais sensíveis do que os homens nessa virada política”, afirmou o talentoso diretor de 35 anos.

 

O filme maratona das Filipinas

 

“A lullaby to the sorrowful mystery”, do filipino Lav Diaz, é uma maratona de oito horas de duração. E por isso foi exibido combinando as sessões de gala, de público e de imprensa.

 

O ambicioso projeto investiga alguns dos mitos sobre o processo de independência das Filipinas na segunda metade do século 19. O filme atravessa o tempo e o espaço para contar três histórias ligadas ao reino da literatura, ao reino da história e ao reino da mitologia.

 

Diaz diz que a Revolução Filipina encerrou mais de 300 anos de opressão da colonização espanhola e que seu filme é a sua carta de amor para o país.

 

 

Guerra Cibernética

 

Outro concorrente muito esperado foi “Zero days”, de Alex Gibney, que tem como tema principal a espionagem e a destruição física online.

 

É mais um título desta edição com viés político, desta vez sobre a guerra cibernética entre países.

 

A equipe de investigadores de Gibney entrevistou pessoas que participaram da elaboração de projetos de ataques cibernéticos contra o Irã, como o vírus Stuxnet, criado a partir de uma colaboração entre os Estados Unidos e Israel.

 

Indagado na coletiva após a projeção sobre o que mais o surpreendeu na investigação que fez para o filme, Gibney disse que o que ele mostra em “Zero days” é muito maior do que muita gente imagina. Como por exemplo a destruição de sistemas de transporte, de abastecimento de água , de energia e também todo o sistema de defesa de um país.

 

“É o primeiro ataque conhecido no qual as redes saíram do mundo cibernético para o físico. A história do vírus Stuxnet mostrou um potencial para a guerra cibernética que é aterradora. E eu acho que as pessoas ainda não se deram conta dela”, destacou o premiado diretor com o Oscar por Um Táxi para a Escuridão (2007).

 

Na Panorama, um destaque com roteiro e produção brasileira

 

 

“Little men”, de Ira Sachs, que tem o roteiro do brasileiro Maurício Zacharias, foi mostrado na Panorama, a paralela mais prestigiada da Berlinale.

 

O filme segue Jacob (Theo Taplitz), de 13 anos, um sensível e tranquilo estudante do ensino médio, com sonhos de ser um artista.

 

Quando seu avô morre, sua família volta para a antiga casa no Brooklyn. Lá ele fica amigo de Antonio (Michael Barbieri), cuja mãe Leonor (Paulina Garcia) mantém uma loja no andar de baixo. A amizade é posta em risco quando uma disputa por causa de aluguel entre o pai de Jacob, Bryan (Greg Kinnear) e Leonor torna-se mais séria.

 

“Little men” é um olhar crítico sobre os males do processo de mudança nos perfis residenciais e padrões culturais de bairros e regiões.

 

O filme é coprodução da brasileira RT Features.

 

 

 

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