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Berlinale 2016: um índio em contradição

19 fev 2016 / Sem comentários / em Cinema / por

 

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A mostra Panorama do Festival do Berlim está mostrando nesta 66ª edição três filmes do Brasil. Um deles – “Antes o tempo não acabava” – teve sua sessão de gala ontem (18.2) para uma plateia que incluía muitos brasileiros. O filme concorre ao prêmio de audiência, que na edição passada foi ganho por “Que horas ela volta?, de Anna Muylaert.

 

Dirigido pelo amazonense Sérgio Andrade e pelo paulista Fábio Baldo, “Antes o tempo não acabava” é a história de Anderson, um jovem índio lidando com o choque cultural entre os rituais indígenas de sua tribo amazônica e a vida urbana, para a qual ele se sente bastante atraído.

 

O elenco é formado por Anderson Tikuna, Rita Carelli, Fidélis Baniwa, Begê Muniz, Kay Sara, Severiano Kedassere, Emanuel Aragão, Arnaldo Barreto entre outros. A equipe conta ainda com o premiado diretor de fotografia Yure César e o diretor de arte Oscar Ramos.

 

Depois do sucesso internacional de “A Floresta de Jonathas”, esse é o primeiro filme de Andrade, mas agora ele trabalha em parceria com Fábio Baldo, que havia montado o filme anterior.

 

Andrade conversou com o LP sobre o filme, a receptividade que espera e o que representa esta seleção em Berlim.

 

Qual mensagem vocês quiseram passar com o filme?

 

Manaus tem uma riqueza de imaginários e cenários, quase inesgotável. Por sua confluência entre rios, floresta, indústria, convivência entre povos nativos da floresta e a miscinenação urbana, é uma cidade mestiça que nasceu sobre um cemitério de indígenas dizimados. É esse universo que queremos mostrar.

 

Como recebeu a notícia da participação em Berlim?

 

Recebemos com muita alegria e como se já fosse um prêmio por tudo que “Antes o tempo não acabava” representa para a realização audiovisual no Amazonas e em relação ao Brasil como um todo. E também por ter sido rodado em Manaus com uma equipe mais de 90% local e especialmente por ter uma proposta conceitual e estética que procura não fazer concessões a clichês e estereótipos exóticos das questões amazônicas e indígenas.

 

O que vai representar para o filme esta estreia em Berlim?

 

O projeto havia sido contemplado no programa World Cinema Fund da própria Berlinale e foi muito bom ele ter sido selecionado para a Panorama. É uma enorme conquista para a carreira do filme já começar numa mostra tão prestigiada.

 

Qual receptividade espera do público para essa provocadora reflexão de uma Manaus indígena?

 

Estamos naquele momento mágico em que o nosso pensamento e nossa expectativa vão encontrar as reações de um público bastante especializado e eu considero que isso é uma das missões mais nobres do Cinema: esse intercâmbio de respostas, levar novos conceitos a mentes e olhos acostumados a outras investidas, como é o caso da Panorama, uma mostra que adora abraçar propostas provocadoras e inusitadas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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