Laboratório Pop

Berlinale 2017: Amazônia profunda

18 fev 2017 / Sem comentários / em Cinema / por

 

amaza

 

Myrna Silveira Brandão, especial para o LABORATÓRIO POP, de Berlim

 

“The lost city of Z”, de James Gray, teve sua estreia mundial na última edição do Festival deNova York, como o título de encerramento. Selecionado para o Festival de Berlim, o filme – uma aventura amazônica estrelada por Charlie Hunnam e Robert Pattinson – lotou as salas deixando enormes filas na porta e fazendo com que a organização do evento precisasse providenciar sessões extras. Baseado no livro homônimo do jornalista David Grann, o filme conta a história real do tenente- coronel Percy Fawcett (Hunnam), um militar britânico que virou explorador. Sua busca por uma cidade perdida – que ele chamava de “Z” e acreditava ser El Dorado – nas profundezas da Amazônia se torna uma obsessão que afeta sua reputação, a vida familiar com sua esposa (Sienna Miller), filhos e sua própria existência.

Após várias expedições infrutíferas e a perda de seu financiamento, Fawcett decidiu realizar uma viagem com seu próprio dinheiro, levando junto seu filho Jack, então com 21 anos, e outros homens de confiança. O Grupo partiu em 1925 para Mato Grosso e nunca mais foi visto. Calcado na Amazônia e com várias referências ao Brasil, o filme é um verdadeiro épico, abrangendo dois continentes e três décadas.

O projeto tem sido considerado  a experiência narrativa mais ambiciosa do cineasta. Gray e o diretor de fotografia Darius Khondji fizeram um filme primoroso, que oscila entre o êxtase e o terror. Tendo como produtores executivos Brad Pitt e Marc Butan, “The lost citã of Z” é um drama forte e num raro nível de arte.

O cineasta autoral americano expressou sua satisfação com a seleção para a Berlinale e o sucesso do filme.

“Para mim, é verdadeiramente um sonho tornado realidade ter “The lost city of Z” selecionado para Berlim. Eu não poderia estar mais honrado com essa receptividade”, declarou o diretor do também bem-sucedido “Era uma vez em Nova York”.

Na expressiva delegação brasileira desta 67ª edição, o destaque foi o novo filme de Fabio Meira. O diretor começou no cinema em 2004 como assistente de Ruy Guerra, em “O veneno da madrugada”, realizou nove curtas-metragens, entre eles “Pátria”, “Novembro” e “Atlântico”. Foi também roteirista de “The Illusion”, dirigido pela cubana Susana Barriga e premiado nos festivais de Berlim, Chicago e Havana.

Ele agora está de volta à Berlinale com “As duas Irenes”, seu primeiro longa-metragem como diretor solo, que teve sua première mundial na Mostra Generation, com o auditório lotado e muitos aplausos ao final.

O filme conta o drama de Irene, uma menina de 13 anos, de uma família tradicional do interior, quando descobre que o pai tem uma filha de outra mulher, com a mesma idade e o mesmo nome dela. As filmagens foram realizadas em Goiás, mostrando uma pequena cidade que não localiza os personagens em um tempo ou um espaço específico.

O elenco é formado por Marco Ricca (como o pai), Susana Ribeiro e as protagonistas – Priscila Bittencourt e Isabela Torres – que foram escolhidas após extensa pesquisa de elenco em Goiás e Brasília, em testes dos quais participaram 200 meninas.

Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Meira explicou por que decidiu escolher Goiás como locação.

“Foram necessários dois anos de pesquisa para decidir. Queria propor um recorte da Cidade de Goiás diferente do usual. A intenção é parecer uma cidade quase deserta e não um ponto turístico”, contou Meira ressaltando que a questão mais forte do seu filme é a identidade. “Filha do meio, Irene começa a se sentir rejeitada e vai tentar descobrir quem ela é e quem quer ser. Ela começa a perceber como se dão as relações sociais e vai entendendo que o universo adulto é feito também de segredos e mentiras”, diz o diretor, formado pela Escola Internacional de Cinema de San Antonio de Los Baños, em Cuba.

Sobre a seleção em Berlim, Meira diz que o filme não poderia ter estreado em um palco melhor do que este.

“A entrada na maturidade é um tema clássico do cinema, assim a mostra Generation tem tudo a ver com o filme”, afirmou Meira, acrescentando que o trabalho com o elenco e a oportunidade de lançar duas atrizes jovens foi incrível.

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