Laboratório Crítico | LABORATÓRIO POP
  • Bom

    Little more

    | The Burk (Rio de Janeiro)

    A dupla carioca The Burk se dedica ao som de violões, com sonoridade herdada do folk sessentista - e tem realmente canções interessantes, em inglês. Dá até para enganar os amigos dizendo se tratar de coisa gringa, embora tenha lá seus pés em nomes brazucões como Legião Urbana. Seguindo em especial a cartilha do folk inglês dos anos 60, Fabee Burk (vocais) e Rafael Burk (violão, vocais) preparam o primeiro disco e lançam na internet canções como Little more.

    "Little more" - The Burk:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Telephone

    | Black Angels (EUA)

    Órgãozinho safado, vocais meio Beatles, instrumentação de garagem... não fosse pela qualidade de gravação decente e pelo grito distorcido que aparece lá pela metade desta Telephone, mal daria para perceber que essa banda texana, Black Angels, é coisa recente. E é mesmo, e tem recebido, nos jornais e sites, comparações com grupos como Black Rebel Motorcycle Club (nada a ver, diga-se de passagem). É som para dançar, mas inspirado pela barulhentíssima canção do Velvet Underground, The black angel s death song.

    "Telephone" - Black Angels:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    Mr. Creature

    | A.R.E. Weapons (Estados Unidos)

    Responsáveis por uma mistura interessante de rock e música eletrônica, os americanos do A.R.E. Weapons não chegaram a virar os queridinhos da galera indie aqui no Brasil - apesar de terem lançado discos que mereceram resenhas bacanas em aloguns blogs e sites, como o homônimo de 2001. Em Mr. Creature, que está no novo disco Darker blue, fazem uma unem uma batidinha eletrônica simples, guitarras pesadas, vocais com ascendência presleyana e dão sua visão de uma cena antiga de Manhattan, com drogas, jazz, cacofonia, caos, maluquices americanas, etc. Uma ideia boa, mas que pouco pega como canção. Será que o disco é legal?

    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Memories

    | Weezer (Estados Unidos)

    Memories é a primeira música a ser liberada pelo Weezer do repertório do CD Hurley, previsto para breve. Quem espera canções ensolaradas como Buddy Holly e Island in the sun, vai dar com a cara na porta. O quarteto liderado pelo vocalista Rivers Cuomo vem com um som quase punk, repleto de desafinações propositais, vocais gritados, guitarras pesadas e senso melódico herdado de bandas que unem mainstream e peso, como Foo Fighters. O disco novo do grupo pode muito bem representar um grande sucesso para a Epitaph, gravadora que recentemente os contratou. E ainda tem o burburinho causado pela foto da capa com o bonachão Jorge Garcia, o Hurley (olha aí, ó) de Lost.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    The comedian

    | Mean Creek (Estados Unidos)

    The comedian, da banda americana Mean Creek, ecoa Pagliacci, o trágico palhaço das óperas, que faz humor, mas vive deprimido, chorando sozinho. Apesar do nome da faixa indicar algo divertido, talvez até tolo, The comedian trafega livremente entre a angústia e a dor, esbarrando na raiva e no alívio.

    A bateria de Mikey Holland é uma das linhas mais interessantes, precisas e brilhantes do ano, casando perfeitamente com o baixo gordo, aveludado e elaborado – e sem excesso de notas – de E. Wormwood.

    A cozinha em The comedian venderia, por si só, a música, mas ela carrega um desempenho sincero e desesperador do vocalista Chris Keene que embala melancolia sincera com a frase "I understand the joke now" – a primeira da faixa – e, mais tarde, quando tudo ao seu redor desmorona em riffs e distorções, grita como as grandes vozes do rock.


    The comedian é um exemplo de dinâmica, de densidade, de perícia com os instrumentos. É uma amálgama sem cara de pastiche de tudo o que deu certo no rock nos últimos 40 anos. É simples, mas, ao mesmo tempo, cheio de camadas.

    Foto: Divulgação

    The comedian:

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Regular

    Homesick

    | Single Parents (São Paulo)

    A banda paulistana Single Parents vem dando o que falar desde o lançamento de seu primeiro EP Could you explain? no início do ano e de uma turnê agendada pela banda por Nova York. Superestimado, o principal single da banda, Homesick, traz arranjos sem muita personalidade e timbres com menos ainda.

    Embora seja a música mais acelerada do EP, falta também energia e empatia nos vocais, que disparam letras sem emoção. De razoável mesmo, só o riff principal e clipe que a faixa recebeu há poucos dias: mesmo esteticamente genérico, foi bem produzido e editado.




    POR: [Philippe Noguchi]

  • Regular

    Repercussions

    | Lauryn Hill

    Lauryn Hill andou meio sumida após um auto-exílio no começo da década e vem retomando sua carreira aos poucos, de 2004 para cá. Caiu na rede, recentemente, uma nova música da cantora, Repercussions, que provavelmente vai entrar no álbum que a cantora vem prometendo por aí.

    Repercussions é um R’n’B de qualidade, mas um pouco anacrônico. Tem cara de catálogo de rádio light FM, com ranço de I believe I can fly, Just the two of us e congêneres. Mesmo assim, a produção é de altíssimo nível, com bons vocais de Hill e uma boa batida. Truques com samplers também enriquecem a faixa.

    Não é revolucionário, mas, por ser tão fora de nosso tempo, não há nada exatamente similar no pop atual. O mais próximo é American boy, mas a vibe não é a mesma.

    Repercussions:

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Bom

    You lost me

    | Christina Aguilera (Nova York/EUA)

    Chorando e se lamentando de uma forma que nem seria possível imaginar, dado o sensualíssimo clipe de Not myself tonight - com o qual o disco Bionic teve seu pontapé inicial - Christina Aguilera faz exatamente como andam dizendo alguns críticos por aí. Se o padrão atual faz com que críticos novatos digam que ela passou a imitar Lady Gaga, ela surpreende com uma triste balada de novela das oito, bem diferente e muito bem executada. E que vale a expectativa do público.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Apenas promessas

    | Rocknova (Belo Horizonte/MG)

    A banda mineira Rocknova está em seu segundo disco, o EP Diante - o primeiro, homônimo, saiu em 2009. É o tipo do grupo que renderia 100% com uma produção um pouco melhor e um trabalho mais detalhado de estúdio, que desse um pouco mais de peso às guitarras e à bateria. Canções boas e pesadas, como Apenas promessas, eles já têm. Além dessa, que une boa melodia a dedilhados gélidos herdados do U2 (e tem aqueles "ôôô" que estão ficando comuns em bandas atuais), o grupo de Gustavo Lago (voz e guitarra), André Abi-Sber (guitarra), Xerllez (baixo) e Nenel (bateria) brilha também em momentos diferentes, como a quase punk Impulso, o pós-grunge A queda e a boa e sessentista Fingindo alegria. Conheça em www.rocknova.com.br.

    "Apenas promessas" - Rocknova:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    As coisas que ela diz

    | Colombia Coffee (Rio de Janeiro)

    Este trio indie carioca é conhecido pelas crônicas da vida boêmia que põem nas letras. E pela sonoridade ligada na tomada, que lembra os ingleses do Arctic Monkeys em sua primeira fase, quando surgiram para o mundo com o excelente Whatever people say I am, thats what Im not.

    A faixa é o carro chefe da banda e traz uma cozinha agitada com graves pulsantes, além de uma guitarra cheias de riffs. Na melhor contradição de termos, os vocais se arrastam velozmente pelos versos cheios de referências a festas, bebedeiras e noites não dormidas. E culminam num refrão pop grudento, pronto para se cantar junto e também preparado para as pistas de dança.

    As coisas que ela diz:

    POR: [Philippe Noguchi]

  • Bom

    Let the things go

    | The Name (Sorocaba, SP)

    “Dançar” é a palavra de ordem deste power trio paulista formado por Andy (guitarra e voz), Molinari (baixo) e Alves (bateria). Let the things go, um dos singles que estão divulgando em turnê pelo país, conta com um baixo funkeado em diálogo com uma batida ultra pop que flerta com o baião. Tudo ornamentado incidentalmente por um triângulo e por outras percussões. Os timbres e arranjos de sintetizadores lembram as trilhas produzidas em 8 bits para os videogames dos anos 80 e embalam versos repetidos a plenos pulmões.

    Let the things go:

    POR: [Philippe Noguchi]

  • Bom

    Rock café

    | Celestines (Curitiba/PR)

    A banda paranaense Celestines mistura rock britânico oitentista na tradição de grupos como Smiths e Stone Roses, com o som de uma cena pouco falada nos dias de hoje - a das bandas de Madchester, doidonas e dançantes, como Inspiral Carpets e Soup Dragons. O som de Tulio Junior (vocais), Buia Branco (baixo), Edu Tex (guitarras), DJ Martini (teclados) e Luiz Dudu (bateria) é introvertido, tem lá seus lados psicodélicos, mas faz dançar, como em Rock café, uma das melhores do EP que acabaram de lançar. No disco, pecam só por, num universo de poucas faixas, lançar mão de duas covers (I m free, dos Rolling Stones, mas em versão assemelhada a que os Soup Dragons fizeram em 1991, e com deslocados trechos de Monólogo ao pé do ouvido, de Chico Science e Nação Zumbi, e I wanna be adored, dos Stone Roses).

    "Rock café" - Celestines:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    I've Got Tonight

    | Boss In Drama (São Paulo)

    É difícil acreditar que esta mistura de Jamiroquai com Daft Punk, embalada por melodias em inglês é concebida por um brasileiro. Utilizando na gravação instrumentos clássicos dos "late seventies", o DJ paulista explora com maestria a sonoridade disco dos anos 70/80 com um palpável descompromisso de soar moderno ou retrô: acomoda-se no limiar, característica deveras refrescante em meio a euforia cult que vivencia o pop alternativo. O resultado é uma faixa à prova de pés parados e irresistível aos amantes de uma pista de dança.

    O talento de Péricles Martins, o jovem produtor por trás do Boss In Drama, já foi reconhecido até por Justin Timberlake, uma referência pra não se colocar defeito quando o assunto é música pop e eletrônica. O cantor, sempre ligado em revelações mundo afora, escreveu em seu blog: "Esse DJ de 21 anos do sul do Brasil faz batidas suaves e sensuais para serem ouvidas ao pôr do sol". Justin pode não entender de geografia brasileira, mas não poderia ser mais preciso na descrição.


    :

    POR: [Philippe Noguchi]

  • Bom

    Let me hear you scream

    | Ozzy Osbourne (Inglaterra)

    Ainda que exija muita técnica, arranjos elaborados (na medida do possível) e pulmões potentes, o heavy metal, assim como o punk, sempre será baseado em repetições. Nem sempre foi assim - e basta escutar a discografia setentista da banda que projetou Ozzy Osbourne, o Black Sabbath, para ter certeza disso. Mas hoje, saber que as coisas continuam as mesmas é sinal de tranquilidade.

    Enfim, se Ozzy não fez um Crazy train em seu novo single, Let me hear you scream, também pode não estar prestes a descer à época de discos horrendos (e odiados por ele próprio) como The ultimate sin, de 1986. Não é a grande supresa de No more tears, sua retomada, de 1992, mas mantém o nível de boas e enérgicas canções como Perry Mason e See you on the other side (que puxaram um de seus melhores discos pós- anos 90, Ozzmosis, de 1995). Scream, o disco novo, promete segurança.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Demodê

    | Maglore (Salvador/BA)

    Baianos, os rapazes do Maglore têm algo de local em seu som, mas isso soa discreto em meio às guitarras e ao riff principal (feito no sintetizador) do single Demodê, boa canção que lançam enquanto finalizam o primeiro álbum. O release diz que o grupo tem influências de folk, rock britânico e MPB setentista "forjadas no caldeirão de ritmos de Salvador", mas não se assuste: a praia da banda é o indie rock, com boas melodias e músicas cantaroláveis, às vezes se aproximando de Los Hermanos, U2 e Strokes em algumas canções que disponibilizaram no MySpace. Vale ouvir e conhecer outras músicas da banda, como Às vezes um clichê.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Fraco

    Funk da vuvuzela

    | Comunidade Nin Jitsu (Porto Alegre/RS)

    Aos quinze anos de carreira, a banda gaúcha Comunidade Nin Jitsu permanece sendo mais uma grande ideia (um grupo dos pampas fazendo um som que parece carioca, imagine só!) do que um excelente resultado. Fora do Rio Grande do Sul, que ama os rapazes, ninguém engoliu muito o projeto - no próprio Rio, permanecem ignorados. O Funk da vuvuzela, música nova do grupo, acerta no oportunismo (ainda mais no verso "para! para! eu não aguento mais essa vuvuzela!") e na batida, mas escorrega nos mesmos erros dos álbuns antigos, que atiravam para todos os lados e não acertavam em nada. Soa estranho demais para fazer parte do pop nacional e pueril demais para entrar na onda do batidão lascivo - "detalhe" que grupos como Bonde do Rolê, tão ruins quanto, já resolveram.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    The believers

    | How to Destroy Angels

    Trent Reznor pode ter deixado o Nine Inch Nails para trás, mas carregou a sonoridade da banda com ele no novo projeto, How to Destroy Angels, que compartilha com a mulher, Mariqueen Mandig. The believers, primeiro single do EP (também nomeado How to destroy angels). É eletrônico, arrastado, mas elaborado.

    É complicado ver algum rock na faixa, que descamba mais para um estilo eletrônico puro. A harmonia e as batidas são sintetizadas, e o vocal de Mariqueen, arrastado, intimista, gemido, só entra bem depois da marca de dois minutos.

    Reznor não faz música comercial e não precisa. Ele encontrou um estilo que vai agradar a quem gosta de música eletrônica. Os arranjos, ainda que desprovidos de alguma sensibilidade pop, são elaborados. A coisa não descamba para batidas genéricas. Até sons similares a videogames dão as caras por volta do quarto minuto.

    Não é revolucionário, cativante ou genial. É uma faixa decente de música eletrônica, com boas bases.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Bom

    Butterfly house

    | The Coral (Liverpool, Inglaterra)

    The Coral já foi tido como uma banda “psicodélica”, até experimental. Coisa que eles até são, já que não se faz uma sonoridade esparsa, sessentista, baseada em arranjos vocais delicados e em um ou outro detalhe barroco, camerístico, sem meter a mão na massa. Com Butterfly house, música que surge como download grátis e é faixa-título do próximo disco deles, pode ser a chance do sexteto conquistar mais ouvintes e deixar o gueto underground de vez. O som é bastante influenciado pelos momentos menos doidões dos Byrds, com seus vocais em camadas e efeitos especiais dosados.

    "Butterfly house" - The Coral:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    Querer mais

    | Indieviduos (Rio de Janeiro/RJ)

    Com um EP inteiro disponibilizado no MySpace, os Indieviduos têm uma sonoridade bem mais séria do que seu nome (que os deixa parecendo uma banda cover noturna dedicada ao repertório de Strokes e Arctic Monkeys) pode fazer supor. Seu som une anos 60 e 70, apontando para Beatles, sem maiores encanações com inovação ou com grandes novidades: são só canções, como a balada romântica Querer mais. Essa faceta simplista, por outro lado, revela um pecado: o de não saírem das soluções mais fáceis na hora de compor ou (em especial) fazer letras. Mas têm potencial para crescer bem mais.

    "Querer mais" - Indieviduos:

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    Can't be tamed

    | Miley Cyrus

    A diferença de Miley Cyrus para uma Britney Spears da vida nesse clipe novo é quase nenhuma – só difere pelo fato de estar bem mais gata do que seu modelo. Largando de vez a ingenuidade de sua personagem Hannah Montana após declarações em que se diz topando tudo, até aparecer nua em filmes, abre com uma pretensa vontade de chocar platéias, se entrega à pole dance (o recurso número um usado por mulheres com fama de bem-comportadas, quando querem um “ooooh” da audiência) e ressurge com um r&b eletrônico que nada tem de original, mas é interessante.Enfim, merece nota 10 em gostosura e um 5 em quesitos musicais. A imagem da cantora presa numa gaiola, com asas de pássaro, dizendo a seu homem que não quer ser domada, faz mais sentido no mercado atual do que a ingenuidade de seu ex-personagem. Resta saber se o disco que vem por aí vale a pena (veja o clipe aqui e ouça só a música aí embaixo).

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    No surprises

    | Regina Spektor

    Ventilada na boca dos indies como uma diva introspectiva, Regina Spektor decidiu chafurdar no catálogo do Radiohead e puxar uma versão de No surprises, do brilhante OK computer, de 1997. O resultado é uma bonitinha e desnecessária tentativa de tornar a música ainda mais bela do que já é.

    Na No surprises de Spektor, somem o irônico xilofone de Johnny Greenwood e o suporte da cozinha Phil Selway/Colin Greenwood. No lugar, um minimalista piano que, com o auxílio de uma tropa de violinos, reproduz e refaz os riffs e passagens da música original. O problema é que Spektor parece seguir a equivocada escola de que tornar uma música mais lenta a torna imediatamente mais bonita.

    O vocal de Yorke era sincero e íntimo. Enquanto o de Spektor não consegue transparecer a mesma sinceridade, é difícil criticar sua versão nesse mérito. Apesar de forçar algumas notas, a cantora faz um trabalho competente, embora menos marcante. Nos arranjos, pouca ousadia, reconhecendo o polimento da obra original, diferente da bizarra incursão de Peter Gabriel em Street spirit, em seu recente álbum de versões, Scratch my back.

    No fim das contas, No surprises, por Regina Spektor, é uma simpática homenagem a um clássico do Radiohead e serve, em última instancia, para provar a força da música, que continua tão emocionante quanto era 13 anos atrás.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Regular

    Lights

    | Interpol (Nova York, Estados Unidos)

    Aquela mesma sonoridade, baseada em poucas e esparsas notas, que você imagina estarem sendo captadas a partir de microfones no teto do estúdio – e que, como quase sempre acontece, têm início com uma guitarra sombria e seca. Preparados para lançar um álbum novo desde 2009, quando começaram a tocar no assunto, os rapazes do Interpol podem estar bem próximos de um novo lançamento desde esta quarta (28), quando lançaram na internet a canção Lights, para download gratuito. A audição é animadora. Exigir 100% de originalidade de uma banda cujos fãs curtem o fato de guardar semelhanças com o Joy Division, claro, é impossível. Mas vale informar que os vocais de Paul Banks estão até mais alegrinhos (na medida do possível) e menos forçados para imitar Ian Curtis.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Hickory dichotomy

    | Stone Temple Pilots (Califórnia, Estados Unidos)

    A coisa já começa a melhorar no front dos Stone Temple Pilots, que lançam o disco novo, homônimo, em 25 de maio. Se o primeiro single, Between the lines, impressiona pela fraqueza (e é a canção que os fãs vão escutar no rádio e assistir na televisão assim que o CD sair, ainda que tenha cara de penúltima música de álbum), a nova Hickory dichotomy, posta no ar nesta quarta-feira (28) traz novos ares para a banda. Rockão de boa e alegre melodia, baseado em guitarras slide e dobros, com Scott Weiland se esforçando para soar como uma mistura de Bob Dylan e David Bowie. A cada semana, até o dia 25 de maio, o grupo disponibiliza uma canção nova - o que não se trata de nenhum ato de generosidade com os fãs nem de "bom uso" da internet, já que só dá para esperar mais três ou quatro singles. Sempre no Amazon.com, onde dá para ouvir as duas músicas já liberadas.



    POR: [Ricardo Schott]

  • Bom

    Fool's day

    | Blur

    O Blur é uma banda subvalorizada. Co-protagonistas da batalha de singles do britpop, os criativos britânicos oscilaram momentos mais comerciais, pesados, experimentais e intimistas em uma interessante carreira, que terminou no excepcional Think tank. Quando a banda voltou a se apresentar em 2009 na Inglaterra, com a formação clássica, surgiu a esperança de novas faixas. A primeira delas, Fool’s day, é uma boba música de verão com linhas interessantes de guitarra, cortesia do sempre criativo Graham Coxon. Para quem esperava outra obra deslocada e introspectiva nos moldes do Think tank, ficou confuso.

    Fool’s day tem uma melodia vocal repetitiva e boba, um surpreendente retrocesso de Albarn que, pelo menos no Blur, sempre caminhou para frente em relação a seu vocal. O desafinado garoto de Parklife deu lugar ao confiante barítono de Think tank, mas aqui ele parece apenas improvisar uma melodia cansativa, que a banda acompanha, apesar dos interessantes timbres conjurados por Coxon e seu exército de pedais. Alex James mantém a tradição de providenciar linhas de baixo criativas e gloriosamente esquisitas.

    Como um todo, Fool’s day funciona, estranhamente. É debochadamente feito para as rádios, agressivamente britânico e, apesar de diferente de diversos trabalhos do Blur, especialmente o mais recente, tem o carimbo de uma banda que sempre dá um jeito de se reinventar.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Regular

    7 prophecies

    | Punição

    O rock, sem dúvida, é diverso. Um estilo que comporta AC DC e Coldplay, Muse e NX Zero, vai das vertentes mais pesadas às mais softs em um pulo. Punição, na falta de termos melhores, é tão soft quanto um soco na cara. Os paulistas, que lançam agora a faixa 7 prophecies sabem fazer metal pesado, similar ao do Sepultura. É trash e pesado até o limite.

    O melhor comentário que é possível fazer a 7 prophecies é que atende às expectativas do sub gênero que se insere. A bateria de metralhadora está presente, assim como o gutural, as guitarras graves e pesadas. O arranjo é rápido, sem espaço para muitos riffs, partes dançantes ou melódicas. É a mesma porrada quase o tempo todo. Por isso mesmo, 7 prophecies não se destaca. É o metal pesado praticado por tantas outras bandas, repetido de maneira formuláica. Para os fãs do gênero, é uma grande pedida. É um hit para bater cabeças. Mas não dá pra negar que é bastante genérico.

    :

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Bom

    Chicken flow

    | O lendário chucrobillyman (Curitiba/PR)

    Com alguns EPs e um álbum, The chicken album, gravado, O Lendário Chucrobillyman pode até provocar risos, além de despertar curiosidades, assim que se ouve falar do que se trata. É um músico curitibano, Klaus Koti, que, unindo punk, blues e rockabilly, montou algo que é até comum lá fora, mas aqui é novidade: uma one man band. Sozinho no palco, ele toca bateria, uma viola caipira eletrificada e canta através de um megafone – o que ajuda a reproduzir nos shows aquela técnica de som dos anos 50, em que os vocais parecem sempre dobrados.  Ou a lembrar o som de velhos bluesmen. Em The chicken album, volta à origem do projeto, inspirado por Chicken walk, de Hasil Adkins (one man band americano, morto no ano em que Chucrobillyman tirou seu projeto da garagem, em 2005). E cria um som sujo e ao mesmo tempo, campestre, lembrando uma sonoridade tirada em meio a um galinheiro, ou no fundão de um sítio velho. Chicken flow, uma das melhores do disco, funde country, blues e, no vocal (você duvidava?) versos em inglês com o ritmo marcado por uma imitação de galinha. Conheça aqui.



    POR: [Ricardo Schott]

  • Fraco

    Between the lines

    | Stone Temple Pilots (Estados Unidos)

    Lembram do famoso Poema enjoadinho, do Vinicius de Moraes (aquele que todo mundo recitou no colégio: “filhos... filhos?/melhor não tê-los!/mas se não os temos/como sabê-lo?”)? Os Stone Temple Pilots inauguram uma nova categoria musical: o rock enjoadinho. Between the lines, como anúncio do primeiro álbum da banda desde 2001 (sai em maio, homônimo), é uma tremenda duma bola fora. Não há nada da sensação de “que som é esse?” que hits como Big bang baby e Days of the week causavam.  Em pouco mais de três minutos, a melodia insiste em retornar 200 vezes nos ouvidos, como um loop. Não há nada que grude na orelha de vez, Scott Weiland canta como se estivesse rindo da cara do ouvinte, as linhas vocais soam como uma canção infantil, o refrão soa como um não-refrão... Típico lado-B descuidado de compacto. Não dá.

    Core (1992), a estreia, mostrava os STP imitando o Pearl Jam e, ainda assim, fazendo muita gente se surpreender em considerar o hit Plush ainda melhor que as canções do seu modelo. Já discos como Tiny music (1996) e Shangri La Dee Da (2001) fascinavam por unir sofrimento, esperança, amor e grandes canções. Agora a coisa mudou no front da banda. Weiland, Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria) confessaram à Billboard americana que estão loucos para se livrar logo da Atlantic, casa da banda desde 1992, à qual estão amarrados, por contrato, por mais dois CDs. Weiland, dono de selo, queria que os STP virassem logo um empreendimento independente e mandassem a gravadora para o inferno – teve que ser chamado às falas pelos companheiros e gentilmente lembrado de que o buraco era mais embaixo. Resta saber, com essas credenciais nada animadoras - e com esse cheiro de disco feito para cumprir contrato - o que vem por aí.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Fraco

    Pés cansados

    | Sandy

    Hoje em dia, imersos em NX Zeros, Fresnos e Restarts da vida, é difícil de imaginar que, em algum momento do passado, a galerinha jovem se embalava mesmo com Enrosca ou sofria as mágoas joviais com As quatro estações da dupla mirim/adolescente/adulta Sandy & Júnior.

    O tempo passou, a dupla se separou e Júnior, agora Júnior Lima, investe em uma miríade de infrutíferas carreiras musicais. Cria uma banda com um ex-Pitty ali, toca bateria aqui e nada frutifica. Onde estava sua irmã, Sandy, a virgem mais querida do Brasil, durante esse tempo todo? Provavelmente pensando no disco Manuscrito, que em breve chega às lojas. Até lá, para apaziguar a espera de seus fãs, a introspectiva diva disponibilizou o primeiro single, Pés cansados. E não vale a espera.

    Se Pés cansados não é a faixa violeira mais farofada da música pop contemporânea, ela busca ser. O arranjo é o mesmo de churrascaria dos cantores bregas de algumas gerações atrás, mas high tech, bem gravado e arredondado. A voz da moça está mais madura e menos irritante, sem os clichês que abusava na dupla com o irmão.

    A ideia parece ser criar uma fronteira entre as novas cantoras da MPB, as Marias Gadú da vida e seus Shimbalaiês,  uma ideia deturpada do que é o pop. Sandy volta, acompanhada provavelmente de milhões de fãs, mas não tem o vigor que tinha quando menina, nem a relevância.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Bom

    Os seres

    | El Efecto (Rio de Janeiro/RJ)

    Vem do Rio de Janeiro uma das faixas mais heterogêneas da cena independente. Os seres, o novo single do El Efecto, é uma salada de ritmos interessante para ouvidos cansados das guitarras nervosas que imperam absolutas no indie nacional. Sua introdução anuncia gêneros que poderiam flutuar entre hardcore e o heavy metal, mas desemboca numa marchinha quase carnavalesca e carioca até a alma, que se alterna com guitarras pesadas e vocais gritados à la Tihuana. A música segue esquizofrênica, mudando drasticamente sem grandes avisos e culminando num interlúdio em ritmo de bolero. Dentro das múltiplas identidades, Os seres acerta e erra na mesma medida, mas ganha pontos em sua imprevisibilidade e no nonsense das letras que dialogam com a confusão de sons generalizada.



    POR: [Philippe Noguchi]

  • Bom

    Casa de areia

    | Virtual Vinil (Niterói/RJ)

    O nome “Seattle” (aquela cidade que gerou o desdobre à direita do rock mundial anos 90) surge com destaque no release da banda niteroiense, formada por Gustavo C (voz, guitarra), Sidney Santana (baixo) e Marcio Abi-Ramia (bateria). Justo. Com canções que parecem mesmo (bem) inspiradas pela sonzeira de Nevermind, clássico do Nirvana (1991), o grupo capricha em bons refrões e um ou outro toque oitentista, como no clima down de Casa de areia, lembrando The Cult. Precisam de um ou outro ajuste nas letras (“não quero mais ser igual ao meu pai”, no refrão, lembra uma rebeldia adolescente de trinta anos atrás e dói no ouvido), mas mandam bem e animam no resultado final. O primeiro EP do grupo ainda tem outras boas novas, Cidades que eu me lembro e Ninguém lembra mais seu nome. Confira aqui.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Regular

    Penthouse is a must

    | Shit'n'shine (EUA/Inglaterra)

    “Ouça no volume máximo”, diz aquele aviso comum em contracapas e encartes de discos de rock. “Cuidado com o volume das caixas ao ouvir este disco”, dizem os ingleses do Shit’n Shine a respeito de Girls against shit, seu novo CD. E nunca, jamais, em tempo algum, pense que é brincadeira: ouça as primeiras músicas do álbum, como Have you really thought about your presentation?, para você ver se os ruídos que saem das caixas não podem ensurdecer qualquer ser humano. Ou vá no MySpace do grupo e ouça logo a doente Penthouse is a must, que começa com um apito eletrônico horrendo, prossegue com umas programações e uns vocais mixados em meio a guitarras. Não que seja bom: é apenas estranho. O grupo tocou na última edição do festival South By Southwest, usa um verdadeiro rodízio de guitarristas e bateristas convidados e tem um caráter musical tribal daqueles de atrair loucos. O som tem experimentalismos dosados na medida para roqueiros não estranharem, mas é malucão e ruidoso demais. Se ficar curioso, ouça aqui. Curiosidade: a banda tem americanos em sua formação, por causa da alta rotatividade – mas baseia-se na Inglaterra.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    Um pouco disso

    | Volantes (Porto Alegre/RS)

    Desligue o ventilador ou o ar condicionado para ouvir o (ótimo) som da banda gaúcha Volantes. O grupo, que toca nesta sexta-feira (26) no Rio, na Drinkeria Maldita e no sábado (27) no Asteroid, em Sorocaba (SP), se deixa influenciar por grupos como Air, Hot Chip, Kraftwerk e TV On The Radio e grava sintetizadores e guitarras quase no mesmo plano, compondo uma sonoridade gélida, apesar de emocionante. Otávio Mastroberti (voz, synths), Arthur Teixeira (voz, guitarra), Rodrigo Mello (bateria), João Augusto (guitarra, synth, voz) e Bernard Simon (baixo) fazem tour para divulgar o EP Sobre gostar e esperar e mandam bala em refrões e riffs que, na Europa, seriam considerados levanta-estádio. Como o da sintetizada e roqueira Um pouco disso.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    Noite de herói

    | Tereza (Niterói, RJ)

    O rock (do Rio de Janeiro) não acabou, como afirmavam os rapazes do Moptop anos atrás. Ainda que não sejam da Cidade Maravilhosa, mas sim de Niterói, os festivos rapazes do Tereza não deixam a Baía de Guanabara impedir a travessia de hits como Noite de herói.

    A música tem.vocais rasgados, sussurrados e backing vocals bradados a plenos pulmões - dividindo espaço com guitarras esganiçadas, uma bateria econômica e um baixo poderoso, Noite de herói não tem medo de ser redonda e pop. É inspirada pelo rock clássico, mas não um pastiche dele. Aponta pro futuro, mas não se asfixia em tecno-parafernálias. É baixo, guitarra, bateria, voz e uma boa melodia. Conheçam mais da banda em www.myspace.com/bandatereza e baixem o EP El topo, recém lançado.  

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Excelente

    This too shall pass

    | Ok Go (Los Angeles, EUA)

    Muitos esquecem da qualidade do Ok Go diante dos videoclipes da banda, de fato entre os melhores que vem sendo produzido nos últimos anos. O single mais recente do quarteto americano, This too shall pass, é um bom exemplo disso. A faixa é grudenta e moderna à última instância, mostrando porque o Ok Go é que o há de melhor naquela área um tanto inóspita que é o meio do caminho entre o indie rock e o eletrônico dançante. Confira abaixo a música e, claro, o videoclipe fora de série.


     

    POR: [Philippe Noguchi]

  • Excelente

    Prunette

    | Bonjour Brumaire (Quebec/Canadá)

    O que não é a globalização? Em uma era de bits e bytes voando na rede, o intrépido navegador da internet pode acabar aportando no Myspace do Bonjour Brumaire e avistar a interessante Prunette, um rock com cara e cabelos de ingleses, mas feito por canadenses de Quebec, totalmente em francês.

    O refrão de Prunette é chiclete. Após uma audição, mesmo que o ouvinte não domine meia dúzia de palavras do nobre idioma gaélico, já está na cabeça. É pop, e pop todo mundo ouve fluentemente. Se não é revolucionária, a faixa Prunette tem guitarrinhas espertas e carisma. Pega um pouco do pós punk nas batidas, joga um Arctic Monkeys nos acordes agudos, desacelera e tempera com a língua de Charles Aznavour. Conheça mais em www.myspace.com/bonjourbrumaire.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Excelente

    Hell

    | Vendo 147 (Salvador/BA)

    Dá para sentir a diferença logo de cara: a banda baiana Vendo 147, que vai tocar no festival Abril Pro Rock, em Recife, no dia 17 de abril, faz rock instrumental, feroz, com cara punk-heavy, jorrando riffs e... com duas baterias, quase gêmeas, viradas uma para a outra. É o que eles chamam de "clone drum". Glauco Neves, Dimmy “O Demolidor” Drummer (baterias), Pedro Itan e Duardo Costa (guitarras) ainda cedem espaço para o baixo de Caio Parish, que abre Hell, primeira música do EP homônimo dos caras. É daquelas bandas que dá vontade de ver ao vivo o mais rápido possível. Se for catar a música no www.myspace.com/vendo147 e quiser mais uma opção de som do EP para ouvir, opte por Skate-o-matic, que soa como um encontro do skate-punk com riffs herdados do Metallica.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Não fosse o bom humor

    | Superguidis (Porto Alegre/RS)

    Estranho que a vertente ligada a bandas como Foo Fighters e todo o pós-grunge só tenha dado certo no Brasil na versão quase teen feita por Pitty. No single virtual que antecede o CD a ser lançado na semana que vem, o grupo gaúcho investem em um som que independe de modas e pouco se vê no rock nacional: canções belas e pesadas, com guitarras em altíssimo volume, soando como mescla de Nirvana e U2. É o que aparece na faixa Não fosse o bom humor. E também em outra canção que complementa o single, Visão além do alcance. No final, de bônus, a curiosa Malevolosidade aparece acústica, em clima de zona, ao vivo - cantada primeiro pela plateia, depois pela banda. Baixe em www.senhorf.com.br.

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    Last of the lookers

    | The Metros (Londres, Inglaterra)

    A banda londrina The Metros (www.myspace.com/themestrosband), formada por Sauly Adamczewski (vocal), Jak Payne (guitarra), Charlie Elliott (baixo), Freddi Hyde-Thompson (bateria) e Joe "curly Joe" Pancucci-Simpson (guitarra), aposta nas viciantes linhas de baixo, que deslizam em músicas como Last of the lookers. E Talk about it, cujo vocal é recheado de um dos sotaques ingleses mais densos da música pop. A voz é ágil, uma mistura um pouco indigesta e bastarda de Alex Turner, do Arctic Monkeys, e Luke Pritchard, do The Kooks, viaja nas tracks, passando mais empolgação do que melodias, mais clima do que palavras.

    A guitarra alterna boas bases com solos inspirados no blues, apenas reformulados e atualizados. A bateria não se aventura por tempos quebrados ou viradas impressionantes e amarra bem o baixo mais harmônico e a guitarra blueseira. O destaque está mesmo em Last of the lookers, com um criativo e interessante naipe de metais, que se junta à farra do verdadeiro rock subterrâneo londrino. E que está em More money less grief, único (até agora), disco da galera, lançado pela Sony Music.

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Excelente

    Bouncing bomb

    | Twisted Wheel (Manchester, Inglaterra)

    O Twisted Wheel é assim: girando como uma roda a 200km/h, os rapazes abraçam baladas e o punk no intervalo de uma faixa. E, em alta velocidade, estas coisas se misturam e aí é que está o charme da banda. Powerchords, bases e batidas recicladas do legítimo punk britânico dos anos 70. O vocal pode caminhar mais na linha Billie Joe Armstrong (Green Day) ou até abraçar de leve o indie, mas Johnny Rotten, de alguma forma, vive no Twisted Wheel, banda de Manchester (Inglaterra) que baseou seu nome no de um antigo clube de rock da cidade, ativo entre os anos 60 e 70. 

    Mas nem é só isso, porque a banda britânica, na faixa Bouncing bomb, abandona as influências do punk rock e abraça os cabelos desgrenhados de Bob Dylan, com violão e tudo. Se ouvir distraído, é possível até achar a voz fanha do bardo na track. A canção está no disco único do grupo, lançado no ano passado pela Sony. Agora, Jonny Brown (vocais, guitarra), Adam Clarke (bateria) e Rick Less (baixo) preparam o segundo álbum. Conheça em www.myspace.com/thetwistedwheel

    POR: [Gerhard Brêda]