Laboratório Pop

Portugal, França e África do Sul se destacam em Berlim

9 fev 2019 / Sem comentários / em Cinema

A portuguesa, de Rita Azevedo Gomes: Em seu trabalho de maior refinamento visual, a diretora de “O som da terra a tremer” (1990) encantou Berlim com seu olhar cheio de planos-sequência sobre uma mulher na Idade Média que tenta transformar um castelo num lar.

Grâce à Dieu, de François Ozon: Até o momento, este é o grande filme da Berlinale 2019, na briga pelo Urso de Ouro. É o trabalho mais adulto do artesão parisiense na direção, centrado em crimes pedófilos de um padre católico, acusado por três homens a quem ele violentou no passado. Denis Menochet vive um deles, numa atuação magistral. Um roteiro que se estrutura às voltas de cada um dos integrantes desse trio, emulando características de cada um, é o acerto maior do longa.

Hellhole, de Bas Devos: Da pátria dos irmãos Dardenne brota este poderoso ensaio sobre a solidão em uma Bélgica marcada por cicatrizes morais relativas à exclusão. Uma série de personagens – entre eles, um jovem árabe com dilemas políticos, um médico de classe média em crise com as atitudes de seu filho e uma tradutora italiana cheia de conflitos, vivida pela genial Alba Rohrwacher – vão se cruzar numa ciranda afetiva em Bruxelas.

Flatland, de Jenna Bass: Numa África do Sul ainda assolada pelos conflitos raciais do passado, uma policial tenta investigar um assassinato, mas uma série de conflitos ligados à cultura pré-Apartheid de seu país vão atrapalhar suas investigações.

Light of my life, de Casey Affleck: O oscarizado astro de “Manchester à beira-mar” (2016) faz sua estreia na direção de longas de ficção comandando uma ficção científica sobre a relação pai e filha em uma realidade futurista distópica, na qual uma doença extermina mulheres.

Brecht, de Heinrich Breoler: Com 182 minutos de duração, construídos para serem divididos em dois episódios para a TV, esta superprodução, de uma direção de arte estonteante, revê a luta de Bertrolt Brecht (1898-1956) como poeta e dramaturgo para criar uma arte livre, capaz de debater a opressão. Burghart Klaussner vive o Brecht em sua fase mais madura.

Querência, de Helvécio Marins Jr.: Com ecos do cinema documental de Humberto Mauro, em especial “Carro de bois” (1974), este experimento poético de observação do cotidiano de um tratador de gado, com sonhos de se firmar como locutor de rodeios, arrebata não apenas por sua potência visual, mas por sua denúncia da negligência das autoridades diante de crimes ligados a questões fundiárias.

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