Laboratório Pop

Berlinale 2020: o skate da pauliceia em cena

26 fev 2020 / Sem comentários / em Cinema


Myrna Silveira Brandão, de Berlim

“Meu nome é Bagdá”, segundo longa-metragem de Caru Alves de Souza – e produção de Rafaella Costa (Manjericão Filmes) – teve noite de gala em sua première mundial no Festival de Berlim na mostra Generation, destinada aos adolescentes e cujo júri também é formado por jovens nessa faixa etária.

O filme traz uma história que se passa no mundo skatista da pauliceia. Filmado na Freguesia do Ó, zona norte da cidade, segue o dia a dia de Bagdá, que divide seu tempo entre a escola, sua mãe e suas duas irmãs mais novas. Embora confiante em seu meio familiar, precisa enfrentar desafiadoramente a vida do lado de fora, nas ruas, clubes e em outros locais.

Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Caru falou sobre o filme, seu método de trabalho e o significado da seleção na Berlinale.

“O Festival de Berlim é um dos maiores festivais de cinema do mundo, no qual o cinema brasileiro sempre teve bastante destaque. Além disso, tem uma programação diversificada com títulos bastante politizados. Ter meu filme em um festival com esse perfil é muito importante, pois ele acaba sendo uma porta aberta para o mundo. E estar na mostra Generation é genial, pois podemos dialogar diretamente com uma parcela do público-alvo do filme, que são os jovens”, destacou a diretora, explicando como surgiu a ideia para abordar o tema.

“Em um dado momento do processo de criação, tive vontade de escrever uma história com personagens mulheres e independentes, que se ajudassem mutuamente, se fortalecendo através dos laços criados entre si. No universo do skate e do cotidiano de um bairro de classe média da cidade de São Paulo, encontrei terreno fértil para desenvolver esse tema”, complementou, acrescentando que costuma “escrever” o texto na cabeça e depois coloca no papel no pouco tempo que sobra para uma cineasta mulher que precisa fazer mil coisas.

“Meu nome é Bagdá” também foi assim. Eu costumo dizer que o filme é uma “metamorfose ambulante”, sempre disposto a mudar de rumo, como se estivesse deslizando em cima das rodinhas de um skate. O processo de feitura do filme foi sempre muito livre e aberto a mudanças e contribuições, desde o primeiro argumento até a montagem”, explicou.

Quanto à reação que espera dos espectadores, ela acha difícil avaliar porque aqui é a primeira exibição pública do filme.

“Mas acredito que ele tem uma potência que é também a potência da equipe que fez o filme com muito amor e dedicação, e do elenco, que trouxe um frescor muito grande. Espero que o público perceba e se deixe levar por tudo isso”, acredita Caru – nascida em São Paulo em 1979 – e autora do aclamado “De Menor”, que ganhou o prêmio do melhor filme na edição 2013 do Festival do Rio.

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