Laboratório Pop

Berlinale 2020: “Vil Má” e os contos eróticos

27 fev 2020 / Sem comentários / em Cinema


Myrna Silveira Brandão, de Berlim

Em 2018, o diretor Gustavo Vinagre participou da mostra Fórum da Berlinale com seu filme “A rosa azul de Novalis”, que foi indicado ao Teddy de melhor documentário. Nesta 70ª edição do Festival, ele está de volta com “Vil má”, na mesma Fórum da vez passada.

Vinagre conversou com o LABORATÓRIO POP sobre o filme, a motivação para fazê-lo e o que representa retornar ao festival.

Como se sente retornando à Berlinale com seu novo filme?

“Estou muito feliz, é a segunda vez consecutiva na mostra Fórum, e sinto que meus filmes são muito bem acolhidos aqui. Num período tão conservador mundial e do Brasil, acho importante não fazer concessões artísticas e a Fórum acredita e abraça esse tipo de arte”.

Qual a principal motivação para ter feito “Vil má”?

“O filme foi gravado em 2013 e só finalizado este ano. A motivação veio da minha completa admiração pela Wilma Azevedo, uma mulher que se orgulha de sua sexualidade e, aos 80 anos, deu a cara a tapa escrevendo contos eróticos sadomasoquistas nos anos 1970 e 1980. O filme é uma continuação direta do meu primeiro curta-metragem, “Filme para poeta cego” (2012), que já é uma investigação sobre sadomasoquismo, e as forças de poder entre diretor e personagem, entre real e ficção. São dois filmes sobre fantasia e trabalho literário”.

Como você chegou até Wilma?

“Conheci a Wilma justamente numa sessão do curta anterior no festival Mix Brasil. Ela vestia veludo azul e saltos altos, me pegou pelo braço e disse: ‘Preciso lhe contar minha vida, sou amiga do Glauco Mattoso (o personagem do “Filme para poeta cego)’. Ela então me contou sua vida e eu fiquei hipnotizado. E, como se não bastasse, me mostrou um dos sonetos de Glauco dedicado a ela – “A Wilma Azevedo” – e um dos versos me fez ter a certeza da clarividência do poeta cego, bem como como a certeza de que eu faria “Vil, má”.
A estrofe do soneto, que é muito anterior ao meu curta sobre Glauco, dizia:
“A tia da Tiazinha é dona Wilma,
Que é vil e má no tipo que criou,
Mas boa, quase casta, como sou
No olhar do Cineasta que nos filma.”

Qual resultado espera para o filme em Berlim e com os demais espectadores mundo afora?

“Os alemães são muito carinhosos e abertos à diversidade. A Wilma fala bastante durante o filme e tenho certeza que cada uma de suas palavras será escutada”.

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