Lançamentos

Galaxies

Hannes Bieger

Fevereiro’25

2025 Elektrons

por Robert Halfoun

Hannes Bieger é o mago dos sintetizadores modulares. E vem mostrar serviço do fabuloso Galaxies, um disco que leva a ideia de eletrônico experimental a sério.

A onda fundamental do trabalho de Bieger é alcançar uma qualidade sonora absurda, com o uso de frequências muito sofisticadas. Experimente: coloque para tocar baixinho e ainda assim os graves e as texturas vão pular no seu peito.

Imagina com o volume mais alto, como vemos nas apresentações ao vivo, situação que parece lapidar ainda mais a música do produtor.

Galaxies reflete uma clara evolução de Bieger que usa o seu profundo conhecimento técnico para criar um ambiente sonoro sofisticado ao mesmo tempo consideravelmente expansivo – leia-se dançante.

Algumas influências também estão claras, como de Brian Eno, Jon Hopkins e Nils Frahm. O vai-e-vem de tensão vem da escola de Robert Rich e William Basinski.

Embora seja importante citar as referências, Bieger já está na mesma prateleira desses caras – como um grandes mestre da música eletrônica experimental, especialmente no techno e em subgêneros relacionados, como o minimal techno. Tudo, ou quase tudo, graças a sua habilidade rara de lidar e tirar sinfonias dos sintetizadores modulares.

Para quem não é muito íntimo desses termos, estamos falando do bom e velho Moog que parece se transformar nas mãos do produtor.

Ao ouvir Galaxies, se quiser chamar de ambient eletrônico, pode. A obra empolga pela construção das atmosferas imersivas e progressivas, com um foco em texturas sonoras detalhadas e melodias sutis – as características que definem o tal do ambient, touché!

Os sinths modulares se encarregam de criar uma sensação de espaço e fluidez das mais interessantes, anos luz à frente de algo puramente rítmico.

As linhas de baixo, com seus graves perfeitos e profundos, nos levam ao movimento, enquanto o uso de modulação de filtros e glides (deslizes de notas) cria fluidez como nos fizesse flutuar no mar, no ar, onde você quiser.

Só para lembrar, o Moog é inteiramente analógico, o que faz o eletrônico ser orgânico e deixa tudo muito mais legal. Galaxies, enfim, faz o seu trabalho se você simplesmente colocá-lo para tocar.

Mas ele explode a sua cabeça, porque ele impulsiona expressões emocionais, se for apreciado com mais atenção – e sem moderação.