Lançamentos

Lean In

Art School Girlfriend

Março’26

Wolf Tone

Por Laboratório Pop

Quando Is It Light Where You Are saiu, em 2021, a leitura crítica foi direta: um disco de eletrônica melancólica, baseado em synth-pop lento, batidas suaves e temas de fim de relacionamento. A DIY Magazine chamou de “a wholly atmospheric synth-driven debut doused in heartbreak”, enquanto a Pitchfork destacou o uso de diferentes produtores e uma paleta eletrônica variada, que ia do ambient ao pop mais acessível. Havia identidade, mas não havia ainda um som fechado.

Cinco anos depois, Lean In resolve isso com clareza. Art School Girlfriend trabalha aqui num território específico: eletrônica lenta, entre dream pop e trip-hop, com faixas construídas sobre linhas de baixo contínuas, batidas simples e repetitivas e synths sustentados. Não há picos nem viradas bruscas — as músicas avançam mantendo o mesmo pulso do início ao fim.

“Lean In” abre com uma batida seca e constante, baixo marcado e synths contínuos, enquanto a voz entra sem grandes variações de intensidade. “Fear of Falling” é a faixa mais próxima do pop, com melodia mais evidente e estrutura mais definida. “Breathing” reduz ainda mais os elementos, com poucos sons em circulação e andamento mais lento.

“Close to You” organiza verso e refrão de forma mais clara, sendo a faixa mais acessível do disco. “Weightless” se aproxima do ambient eletrônico, com progressão mínima. Em “No Relief”, a guitarra aparece de forma mais perceptível, criando contraste dentro de um disco que, no restante, evita esse tipo de intervenção.

A diferença em relação ao disco de 2021 está na escolha de linguagem. Em vez de alternar entre abordagens, o álbum mantém o mesmo tipo de construção do início ao fim. Isso reduz a variedade, mas torna o som mais identificável.
Dentro da cena atual, Art School Girlfriend se aproxima de artistas como Kelly Lee Owens e Ela Minus, embora com menor presença de elementos voltados à pista.

A Pitchfork destacou a “coerência sonora” (7.4/10), enquanto a NME apontou um disco “imersivo e preciso” (4/5). Já o The Guardian avaliou com 3/5, ressaltando a consistência.

O álbum trabalha com poucas ideias e as mantém até o fim. Para quem procura variação ou mudanças de direção, pode soar limitado. Para quem acompanha esse tipo de eletrônica mais lenta e repetitiva, a escuta funciona justamente por essa continuidade.