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The Orielles faz música mutante a partir de peças desconectadas

Only You Left, 3º álbum do trio britânico de cidade-referência no indie, deixa isso muito claro

Por Laboratório Pop

Eles começaram na britânica Halifax ainda menores de idade, carregando instrumentos emprestados e tentando entrar em shows onde o próprio nome deles já estava no cartaz. Em uma dessas noites, precisaram convencer a produção de que eram, de fato, a banda escalada. Tocaram, desmontaram e voltaram para casa de trem. Anos depois, com três discos lançados e uma trajetória construída fora do circuito óbvio, o trio chega ao quarto álbum, Only You Left (2026), lançado em março, consolidando uma mudança de método que já vinha sendo construída desde o isolamento da pandemia. O The Orielles é o novo novíssimo.

A banda se forma na região de West Yorkshire, conhecida pela cena indie que produz, com Esmé Dee Hand-Halford (baixo e voz), Henry Carlyle Wade (guitarra) e Sidonie B. Hand-Halford (bateria).

O primeiro movimento relevante vem com singles lançados de forma independente, que chamam atenção pela repetição rítmica e pelo uso do baixo como eixo central.

Em 2018, lançam Silver Dollar Moment, pela Heavenly Recordings.
O disco estabelece a base do grupo e leva a banda a circuitos de festivais no Reino Unido e Europa.

Em entrevistas na época, Esmé afirmava que o interesse da banda estava mais na “sensação de movimento dentro das músicas” do que em estruturas tradicionais. Henry citava referências que iam de Talking Heads a bandas de pós-punk britânico.

Em 2020, sai Disco Volador.
O segundo álbum amplia o repertório com sintetizadores e trechos instrumentais mais longos.

Em conversa com a NME, a banda explicou que o disco nasceu de sessões longas de improviso, que depois eram editadas. Sidonie comentou que o processo era “menos sobre escrever uma música e mais sobre encontrar partes que funcionassem juntas”.

A pandemia interrompe a sequência de shows.
O grupo passa a trabalhar de forma mais isolada.

Esse período influencia diretamente Tableau (2022).
O terceiro disco apresenta estruturas fragmentadas e menos lineares.

Em entrevistas, Henry descreveu o álbum como “uma tentativa de montar algo a partir de peças desconectadas”. Esmé mencionou que o baixo continuava sendo o ponto de partida, mas que a banda já não pensava em canções como unidades fechadas.

Após esse ciclo, o grupo retoma gravações para o novo disco.

Only You Left é registrado a partir de sessões mais dirigidas.
A banda mantém o método de construção por partes, mas com maior controle sobre o resultado final.

Em entrevistas recentes, Esmé afirmou que o objetivo era “entender o que manter e o que deixar de fora”, indicando uma mudança de abordagem em relação ao acúmulo de ideias dos discos anteriores.

Henry comentou que o trio passou a trabalhar com limites mais definidos dentro das músicas, reduzindo a quantidade de camadas simultâneas.

Sidonie destacou que a dinâmica entre os três permaneceu inalterada, com decisões tomadas coletivamente.

O álbum mantém o uso de elementos eletrônicos, mas sem abandonar a base construída desde o início da banda.

Ao vivo, o material segue sendo reinterpretado.
A banda continua adaptando as músicas conforme o contexto dos shows.

Desde o início, o grupo opera fora de formatos convencionais de mercado.
A trajetória é marcada por continuidade, com cada disco partindo de decisões tomadas no anterior.

Only You Left se insere nesse percurso.
Quarto álbum, lançado em março de 2026, resultado de um processo que começou ainda nos primeiros ensaios em Halifax.