Laboratório Pop

Berlim: Helvécio Marins vê candura em personagem

9 fev 2019 / 1 comentário / em Cinema

Myrna Silveira Brandão

“Querência”, do diretor brasileiro Helvécio Marins, teve sua première mundial nesta sexta (8) na 69ª edição do Festival de Berlim, na Mostra Fórum, conhecida por selecionar trabalhos que desafiam convenções. O filme conta a história de Marcelo (Marcelo di Souza), um vaqueiro que tem sua vida transformada após ser vitima de um assalto na fazenda em que trabalha com o roubo de um grande número de cabeças de gado.

O incidente o impacta profundamente. Mas, com a ajuda de seus amigos, reconstrói-se para realizar seu maior sonho: o desafio de se tornar um narrador de rodeios.

Os atores não são profissionais. Numa declaração no release de divulgação, Marins disse que ter trabalhado com pessoas que são amadores resultou num processo de criação de laços de confiança mútua.

“A construção dessa relação só acontece com bastante tempo de convivência, de trabalho, de amizade e de troca. E só assim foi possível que o Marcelo, o Kaic, o Branco, o Roni e todos pudessem ser dirigidos sem deixar de ser o que na verdade são. Foi um processo de generosidade que se reflete na tela”, revelou o cineasta que já tinha uma ligação com Berlim. “Querência” foi premiado com o fundo alemão World Cinema Fund, ligado à Berlinale. E em 2014 ele foi homenageado pelo governo alemão e pela DAAD pela relevância de sua obra.

Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Marins falou sobre a motivação para fazer o filme e o significado de lançá-lo no festival. Para ele, qualquer cineasta ficaria feliz com a seleção para Berlim.

“É um dos três maiores festivais do mundo e acaba sendo o que cada realizador mais deseja para o seu filme. Então fico feliz por isso. Berlim é a cidade do meu coração. Assim acho que tudo fica mais especial”, disse o diretor, revelando a principal motivação para contar a poética história do vaqueiro Marcelo.

“Ele é tudo que eu não vejo no mundo de hoje. Ele é a candura, é a simplicidade, a abstenção das coisas. Ele não se preocupa com poder, ele acaba sendo um anti-herói desse mundo moderno. É uma pessoa que tem um coração e uma alma que, neste mundo, não existe mais. Em um Brasil de hoje em que o discurso de ódio é imperativo, ter um cara que é cheio de amor no coração e também que é meu amigo me toca muito”, ressalta.

O trabalho de Marins tem tido uma grande identificação com os espectadores, o que faz com que sua expectativa para a passagem por Berlim seja a melhor possível.

“A Fórum é a mostra mais voltada para o tipo de cinema que eu faço em Berlim. Eu não sei o que esperar muito do público, mas acho que o filme vai muito bem, tem tudo para ser bacana” concluiu o diretor do premiado “Girimunho”, seu longa de estreia.

“Querência” concorre ao importante prêmio da Confederação Internacional das Artes – conquistado por Cláudio Assis em 2002 com “Amarelo Manga”.

MOSTRA OFICIAL

O destaque da mostra competitiva deste sábado (9) é “The golden glove”, do teuto turco Fatih Akin, sobre um serial killer que aterroriza os moradores de Hamburgo no início dos anos 1970. Através da recriação dos crimes do psicopata, o diretor recria também a vida noturna da cidade.

Adaptado do romance homônimo de Heinz Strunk, a ação é centrada no bar que Honka costuma frequentar, o Golden Glove.

Honka – interpretado por Jonas Dassler – persegue mulheres solitárias, que não suspeitam que o homem, aparentemente inofensivo, é um serial killer.

Na coletiva que antecede à sessão de gala à noite para o público, Dassler disse que precisou fazer uma longa preparação para o papel do psicopata.

“Eu tentei buscar minha própria interpretação para viver Honka. Foi muito complexo”, contou, complementado por Akin.

“Eu buscava um ator que tivesse uma expressão externa diferente do seu eu interior e esse ator foi Jonas”.

Perguntado sobre influências no seu trabalho, o diretor disse que uma delas foi George Romero.

“Eu vi grandes filmes dirigidos por ele. Na verdade, eu sou um diretor com grande influência alemã e isso, queira ou não, acaba aparecendo”, ressaltou acrescentando uma explicação sobre as vítimas no filme.

“Elas tinham que ser filmadas como se quisessem viver e eu precisava captar isso. Era muito importante mostrar isso para os espectadores.

“The golden glove” já foi vendido para vários países incluindo Japão, Espanha e Itália.

Akin retorna a Berlim, onde “Contra a parede” ganhou o Urso de Ouro e o prêmio da crítica internacional (FIPRESCI), em 2004.

Seu trabalho mais recente, “Em pedaços” (2017), concorreu à Palma de Ouro em Cannes, e deu o prêmio de melhor atriz para Diane Kruger.

1 comentário:

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