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“Clemency”, sobre pena de morte, vence o Sundance”

3 fev 2019 / Sem comentários / em Cinema

Carlos Augusto Brandão

O Festival do Cinema Independente de Sundance anunciou na noite de sábado (2) os vencedores dos troféus independentes de sua edição 2019. Numa cerimônia no Basin Recreation Fieldhouse, de Park City, conduzida pela cineasta e atriz Marianna Palka, foram entregues os prêmios para os vencedores nas diversas categorias. A premiação foi uma vitória para a diversidade, temas complexos e foco naqueles que precisam ter voz no mundo. “Clemency”, de Chinouye Chukwu, foi o grande vencedor da noite, arrebatando o Grande Prêmio do Juri para drama americano, o mais importante do festival.

O filme – que era um dos favoritos e tinha tido uma ótima receptividade – é um drama sobre a pena de morte.

A diretora agradeceu ao festival e contou que todos lhe diziam que “Clemency” não teria audiência e o Sundance mostrou o contrário – “Vocês provaram que o filme tem audiência”, afirmou.

“One child nation”, de Nanfu Wang e Jialing Zhang, ganhou o Grande Prêmio do Júri da Mostra Americana de Documentários. O filme aborda a controversa política do “filho único” na China.

O Prêmio do Júri da competitiva dramática para filmes estrangeiros (Cinema Mundial) foi para “The Souvenir”, de Joanna Hogg (UK)

Um de seus concorrentes era “Divino Amor”, do pernambucano Gabriel

Mascaro, que sai de Park City para Berlim. O filme foi também selecionado para a Mostra Panorama da Berlinale, que começa no próximo dia 7.

Já na competitiva de documentários para filmes estrangeiros (Documentário Mundial) o Prêmio do Júri foi para “Honeyland”, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stefano (Macedônia)

O vencedor da Mostra Next, que segundo o festival premia “puros e arrojados trabalhos que se distinguem por uma abordagem inovadora na forma de contar histórias”, foi para “The Infiltrators”, de Cristina Ibarra e Alex Rivera.

Confira a relação dos principais prêmios:

Grande prêmio do júri para drama americano – Clemency, de Chinonye Chukwu
Prêmio de audiência para drama americano – Brittany Runs Marathon, de Paul Downs
Grande prêmio do júri para documentário americano – One Child Nation, de Nanfu Wang
Prêmio de audiência para documentário americano – Knock Down the House, de Rachel Lears
Cinema Mundial – prêmio do júri – The Souvenir, de Joanna Hogg
Cinema Mundial – prêmio de audiência – Queen of Hearts, de May El-Toukhy
Documentário Mundial – prêmio do Júri – Honeyland, de Tamara Kotevska e Ljubomir Stafanov
Documentário Mundial – prêmio de audiência – Sea of Shadows, de Richard Ladkani
Melhor diretor de drama americano – Joe Talbot com “The Last Black Man in San Francisco
Melhor diretor de documentário americano – Steven Bognar e Julia Reichert por American Factory
Melhor diretor Cinema Mundial – Lucia Garibaldi por The Sharks
Melhor diretor Documentário Mundial – Mads Brugger por Cold Case Hammarskjold
Melhor roteiro americano – Share, de Pippa Bianco

BALANÇO

Colaboração internacional, temas globais, documentários em alga e polêmica deram a tônica

Esta edição do Sundance foi marcada pela quase inexistência das tradicionais linhas de fronteira, prevalecendo em sua grande maioria o sistema de coproduções.

Os temas, além de também transcenderem assuntos ligados aos seus locais de origem, cresceram em carga emocional e, muitos deles, deram nova leitura a temas tratados anteriormente.

Mais uma vez os documentários continuaram em alta trazendo retratos poderosos sobre a realidade e as turbulências do mundo atual. Além das mostras especificas e da continuidade da Premiere documentário criada em 2015, o gênero marcou presença em todas as paralelas.

Um deles foi certamente um dos filmes mais polêmicos desta edição. Com quatro horas de duração, “Living neverland”, de Dan Reed, narra os supostos abusos cometidos pela lenda da música Michael Jackson e os efeitos devastadores que causaram em dois de seus acusadores e suas famílias.

Antes de sua estreia, o lugar onde haveria a sessão recebeu inúmeras ameaças. “As tensões para este filme são maiores do que qualquer coisa que eu já vi antes em Sundance”, disse um policial. Mas nada impediu sua exibição no Egyptian, cinema mais emblemático de Park City.

O festival ratificou sua essência de privilegiar filmes criativos e inovadores já expressa no discurso de abertura de Robert Redford, criador do evento.

Mas o guru-mor da comunidade indie sinalizou que poderá deixar de ser o porta-voz do festival.

“Eu fiz isso por mais de 30 anos, desde o início do festival. Acredito que estamos em um ponto onde eu possa ficar mais nos bastidores. Eu passei a maior parte desse tempo fazendo sua introdução ao longo de todo o primeiro dia, mas não acredito mais que Sundance precise de apresentações”, ressaltou o veterano ator e diretor de 82 anos.

O Sundance é, sem dúvida, o maior evento do cinema independente mundial e nele já despontaram vários nomes que hoje são consagrados diretores como Paul Thomas Anderson, Darren Aronofsky, Edward Burns, Robert Rodriguez, Steven Soderbergh, Kevin Smith e Quentin Tarantino.

Suas raízes remontam a 1978, quando era conhecido como o US Film Festival, um evento pequeno e muito localizado. De lá para cá cresce a cada ano, graças também aos indies que, mais uma vez, contribuíram para que o recorde de inscrição fosse quebrado.

Nesta edição foram submetidos 4.018 longas-metragens. Afinal, fazer sucesso em Sundance significa um passo certo para a fama e para a veiculação no circuito comercial. Por isso é cada vez maior o número de diretores que submetem seus filmes à exigente seleção do festival.

Brasileiros

O cinema brasileiro teve uma boa presença na competição internacional desta edição com:

Divino Amor, de Gabriel Mascaro, na Cinema Mundial, uma história gospel futurista estrelada por Dira Paes; “Democracia em Vertigem”, de Petra Costa, na mostra Documentário Mundial, sobre os bastidores do impeachment da ex presidente Dilma Rousseff; e Abe, de Fernando Grostein Andrade, coproduzido por Caio e Fabiano Gullane. O filme – que foi exibido na Mostra Kids – segue Abe, um garoto de 12 anos que sofre uma grande pressão por ser filho de mãe israelense e pai palestino.

Mais uma discreta ligação com o Brasil se deu na competição americana de documentários: a cineasta Ivete Lucas, que vive nos Estados Unidos, mas é brasileira, concorreu com Pahokee, dirigido em parceria com Patrick Bresnan.

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