Laboratório Pop

Gabriel Mascaro: “O filme especula o futuro”

11 fev 2019 / Sem comentários / em Cinema

Myrna Silveira Brandão

Vindo do Sundance – onde participou da mostra competitiva Cinema Mundial com “Divino amor” – o premiado diretor Pernambucano Gabriel Mascaro desembarcou na Berlinale para apresentar seu filme na prestigiada Mostra Panorama. A sessão ocorreu ontem com casa cheia.

Ambientado no ano de 2027, o filme segue Joana (Dira Paes), uma típica e obsessiva religiosa, que trabalha num cartório onde é responsável pela homologação dos divórcios. Casada com Danilo (Julio Machado), deseja ardentemente engravidar e frequenta uma estranha seita – o tal Divino Amor – cuja principal crença é indissolubilidade do casamento. Algo na linha “o que Deus une o homem não separa”.

Por trás dessa história, o conto gospel futurista de Mascaro tem muitas metáforas e um olhar observador na área cinzenta onde a sensualidade, a devoção e a fé se cruzam.

Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Mascaro falou sobre o filme, a universalidade do tema e a importância de ter sido selecionado para Berlim.

LP: O que representa essa seleção para o Festival de Berlim na Panorama e justo em sua comemorativa 40ª edição?

GM: Acho que é uma alegria imensa ter um filme em Berlim, um festival que estampou sua marca em vários filmes que fizeram parte da minha formação como realizador.

LP: Divino Amor tem como pano de fundo uma forte cultura gospel. Quais resultados e reflexões acha que vai provocar?

GM: O filme se passa em 2027 no Brasil, quando a maioria da população é evangélica e o estado ainda se diz laico. É um filme que especula o futuro próximo através de uma alegoria fantástica, mesmo que o presente mande sinais de fantasia.

LP: Podemos entender a abrangência do filme além do Brasil?

GM: Claro, ele não é apenas sobre o Brasil, é um comentário universal sobre a agenda conservadora, fanática e nacionalista que se espalha pelo mundo. Tentei reler o nacionalismo brasileiro e uma suposta identidade nacionalista cristã atualizada em improváveis apropriações culturais numa narrativa bíblica e erótica sobre fé e poder.

LP: Como resumiria uma definição para o filme?

GM: É uma história universal sobre o desejo pulsante de uma mulher que tem a fé como pilar de sua vida, que espera e procura um sinal divino e termina por receber um sinal maior do que estava preparada.

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