Laboratório Pop

O retrato cru de Dick Cheney, por Christian Bale

11 fev 2019 / Sem comentários / em Cinema

Myrna Silveira Brandão

Embora já tenha sido lançado praticamente em todo o mundo, um dos destaques da 69ª edição da Berlinale foi “Vice”, de Adam McKay, que está entre os filmes mais falados do momento. Exibido na Mostra oficial fora de competição, o filme – também já lançado no Brasil – concorre a 8 prêmios do Oscar, incluindo 3 para McKay: produtor, roteirista e diretor.

A história retrata Dick Cheney, um personagem real, político controverso, desistente de Yale, alcoólatra quando vivia no Wyoming, enfim, sem perspectivas e que deixa para trás suas origens humildes para se tornar uma das figuras mais importantes da política dos Estados Unidos, cuja influência ainda pode ser sentida hoje no País e no resto do mundo.

Cheney, muito bem interpretado por Christian Bale, é um nome que a grande maioria dos americanos conhece. Congressista do partido republicano e vice-presidente de George W. Bush (Sam Rockwell), sua vida é contada no filme desde o começo do seu casamento com Lynne (Amy Adams), uma época de bebedeiras constantes e de uma vida sem rumo. A amizade com Donald Rumsfeld (Steve Carell) foi a porta de entrada para a vida em Washington, com forte atuação nos bastidores do poder.

Para quem ainda não assistiu ao filme, vale observar, o memorável trabalho de maquiagem e as excepcionais atuações do elenco com destaque para Bale, Adams e Carell.

McKay contou que primeiramente considerou o filme como um retrato do personagem na política dos EUA.

“Cheney trabalhou em silêncio. Ele sabia que o verdadeiro poder estava nas sombras. Ele gostava de trabalhar assim”, ressaltou.

Para Bale, viver Cheney exigiu uma impressionante transformação física, inclusive porque precisou engordar os quilos necessários para ficar no mesmo porte do personagem.

“Eu me sentia quase como um trator durante todo o dia, mas foi adorável ter esse desafio”, afirmou o ator.

“Vice” está causando também uma forte polêmica por propor a retomada das discussões sobre a administração Bush, um assunto ainda em aberto.

O diretor disse que o filme inspirou a reação mais extrema de qualquer coisa que ele já tenha feito até hoje. “As pessoas dizem: eu amo isso, é disso que precisamos. Ou então – eu odeio isso mais do que qualquer filme que eu já vi”.

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