Laboratório Pop

Berlinale 2020: “First cow” é peculiar e agrada

23 fev 2020 / Sem comentários / em Cinema

Myrna Silveira Brandão, de Berlim
Fotos de Maria Antônia Silveira Gonçalves e Divulgação

A diretora Kelly Reichardt tem uma forma de fazer cinema muito peculiar. Sua obra é humanista, detalhista, silenciosa, com o viés de não ditos – o que, certamente por isso, tem fiéis seguidores. Muitos estavam na sessão deste sábado (22) de “First cow”, seu novo trabalho que está na mostra oficial desta 70ª edição do Festival de Berlim.

O filme traz uma história que se passa no selvagem Oregon do início do século 19. Cookie Figowitz (John Magaro) é um tranquilo cozinheiro de Maryland. Ele viaja para o oeste para se juntar a um grupo de caçadores de peles e lá cria uma conexão com o imigrante King Lu (Orion Lee). Logo os dois iniciam um negócio de sucesso e ficam parceiros não apenas nos negócios, mas também na vida, complementando os pontos fortes e fracos um do outro.

A fotografia de Christopher Blauvelt é perfeitamente adequada à trama, fazendo distinções dramáticas entre os verdes e azuis do noroeste do Pacífico e os marrons e cinzas das ruas sujas e barracos em ruínas.

O elenco também é ótimo, tanto os protagonistas quanto os coadjuvantes, inclusive o veterano Rene Auberjonois como um eremita (o ator morreu em dezembro último).

Outro acerto é a relação de Cookie com Lu e depois com a vaca – tocante e hilária – com a qual ele mantém conversas na calada da noite enquanto a ordenha.

Essa relação foi comentada pela diretora na coletiva após a projeção – da qual participou o LABORATÓRIO POP – quando ela compartilhou um fato bizarro.

“A adorável vaca do filme agora tem um bezerro e seu nome é Cookie”, disse, provocando risos na plateia.

Reichardt lembrou também que o filme é dedicado ao lendário cineasta Peter Hutton e que ele costumava dar sempre o melhor retorno para ela.

“Quando mostrei para ele “Movimentos noturnos” em 2013, ele disse apenas – é um filme demais”.

“First Cow” não chega ao clímax emocionante de outros trabalhos de Reichardt, como, por exemplo, “Wendy e Lucy”, mas é um ótimo filme que sem dúvida tem todos os méritos para estar na disputa do prêmio máximo da Berlinale.

Em resposta a uma pergunta como foi trabalhar e dirigir uma vaca, a simpática diretora brincou novamente.
“É um ator como outro qualquer”, respondeu.

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