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Valor Sentimental merece muito o Oscars que ganhou

Há coisas na vida que não se resolverm: o filme de Joachin Trier mostra isso

Por Laboratório Pop

Dirigido pelo norueguês Joachim Trier (A Pior Pessoa do Mundo), Valor Sentimental acompanha membros de uma mesma família lidando com perdas, ressentimentos e tentativas de reconexão ao longo do tempo. No elenco, Renate Reinsve e Anders Danielsen Lie conduzem a narrativa com atuações contidas.

O filme não se organiza em torno de um evento específico. Ele acompanha encontros, conversas e situações cotidianas que revelam tensões acumuladas.

Não há um momento de ruptura clara. O que existe é um processo contínuo de aproximação e afastamento. O passado está sempre presente, mesmo quando não é nomeado.

A encenação é discreta. A câmera observa, os diálogos evitam explicação direta e o ritmo desacelerado exige atenção. Trier constrói um cinema que depende da participação ativa do espectador.

Na crítica internacional, o filme foi amplamente bem recebido, reforçando a posição do diretor no circuito de festivais. Ao mesmo tempo, há uma expectativa de que parte do público encontre dificuldade na ausência de resolução.

Mas essa ausência é o núcleo do filme. Valor Sentimental não busca concluir — busca observar.

E o que emerge é uma constatação simples: nem tudo se resolve — e isso não impede que a vida siga em frente.

Onde ver: lançamento previsto em cinemas brasileiros em 2026, com posterior chegada a plataformas como MUBI.