Antes de chegar ao cinema, Love Kills já existia como graphic novel. A obra de Danilo Beyruth, publicada no Brasil pela DarkSide Books em 2019, acompanha uma vampira que circula por São Paulo e o vínculo que se estabelece com um homem comum dentro de um ambiente urbano marcado por violência, marginalidade e sobrevivência. A narrativa se organiza a partir dessa relação e do desequilíbrio que a sustenta.
O filme dirigido por Luiza Shelling parte desse mesmo ponto. A história acompanha o encontro entre uma vampira e um homem que se aproxima dela sem compreender completamente a dinâmica em que está entrando. O vampirismo não é apresentado como mistério nem como descoberta. Ele está dado desde o início, e o desenvolvimento se concentra no que essa condição produz na relação.
À medida que o vínculo se estabelece, a assimetria se torna evidente. O que começa como aproximação evolui para dependência, e a relação passa a se sustentar a partir de um consumo contínuo — físico e emocional. Não há indicação de equilíbrio possível. O filme acompanha a permanência desse mecanismo.
Na imprensa internacional, o projeto vem sendo posicionado como um “dark romantasy thriller” ambientado em São Paulo, definição usada em cobertura do Film Combat Syndicate. Esse enquadramento indica um híbrido de gêneros, mas também sugere um deslocamento: o vampiro deixa de funcionar apenas como elemento de fantasia e passa a estruturar relações de poder.
Essa leitura é reforçada pela própria diretora. Em entrevista à Variety, Luiza Shelling afirma que o filme utiliza o vampirismo para tratar trauma, exclusão e identidade, além de relações abusivas a partir da perspectiva de mulheres marginalizadas. Na mesma declaração, define os vampiros como “proxy para experiências trans”.
Esse posicionamento ajuda a entender a forma como o filme é apresentado. Não há ênfase em regras de gênero ou em construção de suspense tradicional. O foco está no funcionamento da relação e no ambiente em que ela se desenvolve. São Paulo aparece como espaço de circulação e desgaste, e não como cenário neutro.
No circuito internacional, Love Kills começa a ganhar visibilidade dentro do mercado e de festivais. O Screen Daily menciona o filme entre os títulos reconhecidos no Ventana Sur, indicando recepção positiva no ambiente profissional. Ao mesmo tempo, a ausência de um volume consolidado de críticas em veículos generalistas mostra que o filme ainda está em fase inicial de recepção crítica.
