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Jehnny Beth faz versão incendiária de “Army of Me”, da Björk

Punk-industrial é a trilha de show cartático que vai abrir para Gorillaz e The Flaming Lips

por Robert Halfoun

Três palavras definem o que é uma performance de Jehnny Beth: intensa, imersiva e catártica. Não há barreira entre o palco e o público. Ela parece indomável, enlouquecida e cria uma tensão constante, como se quisesse asfixiar a plateia. Não à toa, os shows de Beth estão entre os mais esperados da temporada de verão europeu que começa no fim de maio. Em algumas apresentações, ela abrirá para ninguém menos do que Gorillaz e The Flaming Lips.

A crítica fala de um acontecimento raro mesmo no cenário alternativo, que envolve um jogo com teatralidade punk poderosamente crua, imersa numa parede sonora radical, com muito de noise, pós-punk e ainda mais de industrial. As referências vão de Trent Reznor a Rage Against the Machine, onde a distorção é ferramenta e a voz surge como instrumento em canções pessoais de empoderamento emocional.

No meio disso tudo… Björk! Mas não como você conhece, e sim numa versão de “Army of Me” pesada e seca, agressiva até o talo.

A canção não está em You Heartbreaker, You, o álbum mais recente de Beth, lançado no final de 2025. Mas segue a mesma linha proposta pela artista na obra, que recebeu cinco estrelas em inúmeros veículos relevantes, sendo colocada como um dos discos mais ferozes do ano.

A partir dele, a revista francesa Les Inrockuptibles vem chamando Jehnny Beth de “a grande prêtresse de la pop noire”, movida pela fúria contra o caos do mundo, conduzida pelo rock industrial — mas não só por ele.

“A raiva é a forma de emoção que prefiro”, disse a artista em entrevista à publicação. Beth é figura carimbada na cena alternativa europeia. Ela faz barulho desde os meados dos anos 2000, quando surgiu com o duo John & Jehn, ao lado de Johnny Hostile. Em 2011 vem o Savages, banda que a projeta internacionalmente com Silence Yourself (2013) e Adore Life (2016), ambos indicados ao Mercury Prize e recebidos pela crítica como marcos do pós-punk da década.

A partir de 2020, já em carreira solo, Beth amplia o campo sonoro com To Love Is to Live, incorporando spoken word, ruído e eletrônica, e aprofunda essa linha em You Heartbreaker, You (2025).

Fora da música, Jehnny Beth, filha de um diretor de teatro, formou-se em Arte Dramática e, ainda bem jovem, estreou no cinema em À travers la forêt, de Jean-Paul Civeyrac. Mais tarde, também como atriz, foi indicada ao César por Un amour impossible e participou de Anatomie d’une chute, de Justine Triet.

De volta aos palcos, o show da artista dura uma hora, sem respiros e sem bis. No repertório, basicamente as porradas de You Heartbreaker, You, incluindo “Look at Me”, single recém-lançado com Mike Patton, ex-Faith No More.

Sobre a canção, ela soa como um electro-rock estridente, com bateria próxima do trap e quedas de dubstep, marcado por intensa variação vocal. A principal característica musical de Patton é declaradamente uma das inspirações de Beth.