Laboratório Pop

À espera do novo Homem-Aranha, só nos resta animação

3 jun 2019 / Sem comentários / em Cinema


Rodrigo Fonseca
Laureado com um merecido Oscar de melhor animação e com o Globo de Ouro, “Homem-Aranha no Aranhaverso”, produção de US$ 90 milhões que contabilizou US$ 375 milhões na venda de ingressos no exterior, já está disponível na TV brasileira, no Now! Do Telecine, o que serve como um bom aperitivo para a estreia do novo filme em live action do teioso, com Tom Holland. “Longe de casa” aporta por aqui no dia 4 de julho, tendo Jake Gyllenhaal como o vilão Mysterio, um especialista em ilusões. A expectativa em torno do novo longa-metragem, que tem conexões com “Vingadores: Ultimato”, é grande. Mas, antes dele, vale um mergulho nesta releitura animada do personagem, que impressiona por sua experimentação formal na fusão de técnicas, da computação gráfica ao desenho em 2D. É o mais ambicioso experimento da indústria animada nos EUA, tanto na engenharia narrativa quanto na dramaturgia, uma vez que adapta a mais complexa saga do Lançador de Teias nos últimos anos. Aliás, o resultado na telona flui melhor do que nas HQs, valorizando, com revelo tocante, o jovem negro com poderes quase iguais (com algumas melhoras) aos de Peter Parker: o adolescente Miles Morales. A construção dramática do rapaz – filho de um policial afrodescendente e de uma enfermeira hispânica – é um feito à altura do “Pantera Negra” quando se pensa na representação da negritude, o que só mostra a evolução ética da Marvel. Dublado na versão brasileira por Cadu Paschoal e, nos EUA, por Shameik Moore, Morales é a medida de humanismo desta aventura sobre diferentes planos de realidade que se fundem a partir de diferentes seres dotados com a força aracnídea. Inclua entre eles um porco falante, tipo Gaguinho. Ele é um dos indícios do empenho da trinca de diretores Bob Persichetti, Peter Ramsey e Rodney Rothman em criar um filme-tributo à história da animação, com alusões à série de TV desenhada do Aranha nos anos 1960. Essas referências (discretas ao passado) e o explícito réquiem para o pai espiritual da Marvel, Stan Lee (dublado aqui por Carlos Seidl, a voz do Seu Madruga), salpicam afeto em uma trama em tom de thriller, centrada na luta dos Aranhas para debelar um plano do vilão Rei do Crime enquanto Morales amadurece, como herói e como gente. É uma mistura de “Dope” com “Clube dos Cinco”, regada a fantasia e humor, sobretudo na genial cena pós-crédito.

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