Laboratório Pop

Anima Mundi se arma de fatos e fantasias para lotar salas no fim de semana

19 jul 2019 / Sem comentários / em Cinema


RODRIGO FONSECA
Inaugurado na quarta-feira, no RJ, com salas lotadas, o Anima Mundi 2019 tem um fim de semana inteiro pela frente para dar seu recardo de diversidade, apoiado em um cardápio de 300 filmes de 40 países. Nele, há algumas pérolas, como o misto de .doc, fantasia, HQ e divã “A Cidade dos Piratas”, do gaúcho Otto Guerra, e o longa espanhol “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, de Salvador Simó. O primeiro conversa sobre identidade de gênero com a obra da cartunista Laerte. O segundo fala sobre os anos de juventude do diretor de “Um cão andaluz” (1929). Com base numa HQ, o filme de Simó recria os passos do cineasta Luis Buñuel (1900-1983) para voltar a fazer filmes, no início dos anos 1930, após uma confusão com a alta cúpula da Igreja Católica.

Da Bulgária, veio uma joia que brinca com o universo da música: “Miles”, de Kalina Detcheva. É a história do cotidiano de um gato trompetista às voltas com o ruído que suas notas e suas harmonias geram nos humanos. Mikhail Yosof é o instrumentista responsável pelos arranjos do filme. Também da Europa, mas de terras francesas, veio o contundente “Le Mans 1955”, de Quentin Baillieux, que recria um terrível desastre automobilístico nas pistas de corrida.

Quem é fã de desenho animado japonês não pode perder “Invisible”, de Akihiko Yamashita. Artesão do estúdio Ghibli, onde foi integrante da equipe do mítico cineasta Hayao Miyazaki em “A viagem de Chihiro” (2002), o veterano animador de cults como “Chûzumô” (2010) narra neste anime a saga de um homem invisível que tenta se fazer notar, numa grande metrópole, como pode.
De Portugal, o Anima Mundi recebe o premiado “Tio Tomás – A contabilidade dos dias”, de Regina Pessoa. De um detalhismo milimétrico na representação da rotina de um absorto contador e do dia a dia de travessuras de sua sobrinha, este ensaio lusitano sobre o processo de falência existencial carrega todo o lirismo que fez da diretora de “A noite” (1999) uma das maiores animadoras da Europa. Conquistou o Prêmio do Júri do Festival de Annecy, na França, a maior vitrine da animação mundial.

Do cinema brasileiro, vale um olhar atento para “Apneia” (na imagem acima), de Carol Sakura e Walkir Fernandes, do Paraná. Com uma sutileza singular, este mergulho nos traumas de infância tangência fantasmas de abusos enquanto gera metáforas ligadas a substâncias líquidas, numa relação mãe e filha. Os diálogos transbordam poesia, como se vê em falas do tipo: “Nem sempre quem vai à água te socorrer aprendeu a nadar” ou “Havia um mar dentro da minha mãe; quando eu saí, ela secou”.

Para quem gosta de filme policial, a pedida nacional obrigatória é “Contra-filé”, de Pedro Iuá. Neste thriller com bonecos de resina, um homem ligado ao crime luta para sobreviver à perseguição do submundo, encontrando num açougue uma possível saída para seus problemas. Diálogos hilários se alternam com situações de extrema tensão, numa narrativa policial com ecos de clássicos do cinema noir. E há uma deliciosa comédia que tira sarro dos programas sensacionalistas do universo da PM e do crime no país: “Isso é o mundo cão”, de Rodrigo Plá.

Confira a seguir a grade exibidora do Anima Mundi:
Rio de Janeiro: de 17 a 21 de julho, no Centro Cultural Banco do Brasil (R. Primeiro de Março, 66 – Centro) e Estação Net Botafogo (R. Voluntários da Pátria, 88 – Botafogo);
São Paulo: de 24 a 28 de julho, no Itaú Cultural (Av. Paulista, 149 – Bela Vista), Petra Belas Artes (R. da Consolação, 2423 – Consolação), IMS Paulista (Av. Paulista, 2424 – Consolação) e Auditório Ibirapuera (Av. Pedro Álvares Cabral – Vila Mariana).

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