Myrna Silveira Brandão, de Berlim

 

A partir desta quinta (5), os olhos do cinema mundial se voltam para o Festival de Berlim, que está completando sua 65ª edição.

 

“Nobody wants the night”, de Isabel Coixet, dá partida ao evento, que vai mostrar uma eclética programação de mais de 400 títulos.

 

O filme da diretora espanhola segue Josephine Peary (Juliette Binoche), que em 1908 vai de Boston à Groenlândia, à procura de seu marido, o explorador Robert Peary (Gabriel Byrne).

Na gelada paisagem das locações, Josephine e a jovem Inuit Allaka (Rinko Kikuchi) vão disputar o amor de Robert.

 

O Brasil concorre ao Urso de Ouro na mostra de curtas-metragens com Mar de Fogo, de Joel Pizzini, um filme-ensaio, de pouco mais de cinco minutos, que recria as pulsões inventivas de Mário Peixoto, autor de Limite (1930).

 

Numa declaração ao Laboratório Pop, Pizzini disse que a seleção foi um belo “regalo” de Ano Novo.

 

“Não imaginava que o filme fosse entrar na competição oficial. Ainda não me recuperei da surpresa, estou assimilando”, ressaltou o diretor dos ótimos “500 Almas” e “Enigma de um Dia”.

Três títulos brasileiros participam da Panorama de ficção: Sangue Azul, de Lirio Ferreira, que ganhou o status de abrir a mostra; Ausência, de Chico Teixeira; e Que Horas ela Volta?, de Anna Muylaert.

 

O Brasil também está presente na Panorama Documenta com Jia Zhang-Ke, um Homem de Fenyang, de Walter Salles.

 

“Estar de volta a Berlim com um documentário sobre o cineasta extraordinário que é Jia Zhangke é uma honra. É como se um círculo se fechasse”, afirma Salles em comunicado divulgado à imprensa.

 

A delegação brasileira integra ainda a Mostra Fórum com dois títulos: Beira-mar, dos gaúchos Felipe Matzembacher e Marcio Reolo; e Brasil S/A, do pernambucano Marcelo Pedroso.

 

 

Mostra Oficial

 

Foram selecionados 23 filmes, 19 concorrentes ao Urso de Ouro e 4 que serão mostrados fora de competição.

 

Os destaques dos concorrentes ao prêmio máximo da Berlinale, além do filme de Coixet, são: “Knight of Cups”, do americano Terrence Malick (EUA); “ Eisenstein in Guanajuato”, do inglês Peter Greenaway; Taxi, do iraniano Jafar Panahi; Journal d’une Femme de Chambre, do francês Benoit Jacquot; El Club, do chileno Pablo Larrain; e Queen of the Desert, do alemão Werner Herzog estrelado por Nicole Kidman e Roberto Pattinson.

 

Entre os que serão mostrados fora de competição, se destacam: Wim Wenders, com Every Thing Will Be Fine; e Kenneth Branagh, com Cinderela, uma nova adaptação do clássico conto de fadas de Charles Perrault.

 

O aguardado Cinquenta Tons de Cinza, de Sam Taylor-Johnson, terá sua première mundial na mostra oficial do festival. Adaptação do famoso best-seller, de E. L. James, que foi traduzido para 51 idiomas, o filme será mostrado em sessão de gala da Berlinale Especial.

 

A cerimônia de premiação acontecerá em 14 de fevereiro no Palácio dos Festivais. O evento encerrará no dia 15 de fevereiro, com uma sessão especial do filme vencedor do Urso de Ouro, cujo júri será presidido pelo diretor americano Darren Aronofsky (Cisne Negro).

 

 

Homenagens e Retrospectivas

 

O Urso Honorário, tributo pelo conjunto da obra, será entregue ao diretor alemão Wim Wenders.

 

Ao fazer o anúncio, Dieter Kosslick, diretor do festival manifestou sua satisfação com o tributo para Wenders, afirmando que a Berlinale vai homenagear sua diversidade artística.

 

“Em todas as facetas do seu trabalho, sua mistura de gêneros e seu estilo diversificado como cineasta, fotógrafo e autor moldou nossa memória viva do cinema e continua inspirando outros cineastas”, disse Kosslick.

 

O tributo a Wenders será acompanhado de uma retrospectiva com dez dos seus principais filmes.

 

A tradicional Retrospectiva terá como tema o centenário do início da criação da “Cor por Tecnicolor”, um processo que se transformou numa lenda para muito além de Hollywood.

 

Serão mostrados 30 clássicos com a técnica, entre os quais O Mágico de Oz, de Victor Fleming (1939); Duelo ao Sol, de King Vidor (1946); e Os Homens Preferem as Loiras, de Howard Hawks (1953).

 

Haverá também uma homenagem especial para o diretor italiano Francesco Rosi, morto no último dia 10 de janeiro, aos 92 anos, com uma sessão do seu Uomini Contro (Many Wars Ago, 1970), drama contra a guerra filmado nas montanhas austríacas-italianas durante a Primeira Guerra Mundial.

 

 

 

FILMES DA MOSTRA OFICIAL

 

Em competição

 

 

Nobody Wants the Night”, de Isabel Coixet (Espanha)

Body, de Malgorzata Szumowska – Polônia

Big Father, Small Father and Other Stories, de Di Phan Dang – Vietnam / França / Alemanha / Holanda

Journal d’une Femme de Chambre, de Benoit Jacquot – França / Bélgica

Queen of the Desert, de Werner Herzog – EUA

Taxi, de Jafar Panahi – Irã

Victoria, de Sebastian Schipper – Alemanha

Gone with the Bullets, de Wen Jiang – China /Hong Kong/ EUA

45 Years, de Andrew Haigh – UK

As We Were Dreaming, de Andreas Dresen – Alemanha / França

Eisenstein in Guanajuato, de Peter Greenaway – Holanda /México / Bélgica

Ixcanul Volcano, de Jayro Bustamante – Guatemala / França

Knight of Cups, de Terrence Malick – EUA

Under Electric Clouds, de Alexey German – Rússia / Ucrânia / Polônia

Aferim!, de Radu Jude – Romênia / Bulgária / República Tcheca

El Botón de Nácar, de Patricio Guzmán – França / Chile / Espanha

El Club, de Pablo Larrain – Chile

Chasuke’s Journey, de Sabu – Japão

Vergine Giurata, de Laura Bispuri – Itália / Suiça / Alemanha / Albânia / Kosovo

 

 

Fora de competição

 

Mr. Holmes, de Bill Condon – UK

Cinderella, de Kenneth Branagh – EUA

13 Minutes, de Oliver Hirschbiegel – Alemanha

Every Thing Will Be Fine, de Wim Wenders – Alemanha