Laboratório Pop

Berlinale 2020: A cidade “estrangeira de Mariani

23 fev 2020 / Sem comentários / em Cinema

Myrna Silveira Brandão, de Berlim
Foto: Maria Antônia Silveira Gonçalves e Divulgação

A première mundial de “Cidade Pássaro”, de Matias Mariani, aconteceu nesta sexta-feira (21) numa concorrida noite de gala, seguida de debate com o público ao final da projeção. A noite foi pura emoção. Mariani dedicou a sessão à atriz e ativista Preta Ferreira, representante do MST, que também está no filme e estava presente.

Preta, vítima da perseguição política que está sofrendo por toda a sua luta por moradia em SP e no Brasil, teve uma autorização judicial para vir a Berlim.

Ela tem vários outros trabalhos no cinema ligados à consciência política, direito constitucional e moradia. Esteve em filmes como “Era o Hotel Cambridge”, de Eliane Caffé, e “Mesmo com Tanta Agonia”, de Alice
Andrade Drummond.

Preta agradeceu a Mariani e fez um comovente pronunciamento que emocionou a todos.

Estavam presentes também os atores do elenco principal, os nigerianos OC Ukeje e Chukwudi Iwuji e a brasileira Indira Nascimento.

O filme é a história de Amadi, um jovem músico de Lagos, que viaja da Nigéria para São Paulo com a missão de localizar Ikenna, seu irmão que recentemente rompeu todos os laços com a família.

Amadi teme que se não encontrar Ikenna, o manto do irmão mais velho será deixado para ele, juntamente com a responsabilidade de prover sua família.

Ao começar seguir as poucas pistas deixadas pelo irmão, Amadi descobre que Ikenna não é o professor de matemática que ele imaginava. Além disso, inventou uma série intrincada de esquemas para acumular riqueza no Brasil,

Quando é confrontado com uma possibilidade concreta de encontrar seu irmão, Amadi é forçado a escolher entre a fidelidade à sua família ou o desejo de começar uma nova vida em São Paulo.

Matias disse que a ideia de realizar o filme é um projeto antigo.

“Quando morei fora do Brasil na juventude sempre tive o desejo de fazer um filme sobre a sensação de ser um estrangeiro, de estar em uma cidade hermética, que não se abre para as pessoas”, contou o diretor, acrescentando que é apaixonado por São Paulo e sentia que tinha algo a contar sobre a cidade.

“O filme é o resultado do encontro dessas duas vontades, disse o diretor”, expressando sua satisfação pela première mundial de “Cidade pássaro” na Berlinale.

“Estar em Berlim é um reconhecimento enorme para todos nós que realizamos o filme e sou muito grato por isso. Acho também que demonstra um interesse do cinema internacional em ir além das histórias que se espera do Brasil”, complementou.

Não deixe de comentar!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Útimas de Cinema

Útimos posts