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Em Cannes, ‘Frankie’ recicla a representação de Portugal nas telas

21 maio 2019 / Sem comentários / em Cinema


Rodrigo Fonseca
Sempre que se fala do bonde brasileiro em Cannes, em 2019, é comum (mas injusto) o esquecimento do nome Maurício Zacharias, um dos roteiristas de mais sólida reputação entre os escribas da seara indie dos EUA, que assina o script do controverso (mas delicioso) “Frankie”, que leva Ira Sachs à disputa pela Palma de Ouro. A controvérsia vem de sua estrutura palavrosa, que espantou parte da crítica. Mas cada palavra dos diálogos carrega um tônus de poesia, sobretudo quando somada ao olhar de observação e de crítica do fotógrafo Rui Poças. A trama segue um grupo de parentes e amigos de uma atriz veterana, a tal Frankie, vivida por Isabelle Huppert, que reuniu seus entes queridos para uma possível despedida. Marisa Tomei e Greg Kinnear botam o filme no bolso, vivendo um casal de profissionais da indústria audiovisual que guardam profundo respeito por Frankie. O resultado da busca estética de Sachs, na tela grande, parece uma mistura de “All about Eve” com Altman.
“É um filme dos anos 1970”, avisou Poças num esbarrão com o LabPop na Croisette, sem revelar o quão brilhante é sua paleta de cores nas telas.
Um dos realizadores brasileiros mais respeitados no exterior, o cearense Karim Aïnouz (de “O céu de Suely”) dispara como favorito aos prêmios da mostra Un Certain Regard (Um Certo Olhar), vitrine paralela à briga pela Palma de Ouro. Na segunda, ele botou a Croisette no bolso com uma história de amor fraterno entre duas irmãs no Rio dos anos 1950. “A vida invisível de Eurídice Gusmão” pode arrancar troféus expressivos do júri presidido pela cineasta libanesa Nadine Labaki (“Capharnaum”). Fala-se de um prêmio especial para Fernanda Montenegro, que entrega o elenco. Carol Duarte e Júlia Stockler têm atuações irretocáveis como as “manas” Eurídice e Guida. A produção é de Rodrigo Teixeira e da RT Features.
“Dor e Glória”, de Pedro Almodóvar, “A hidden life”, de Terrence Malick, e “Portrait de une jeune fille em feu”, de Céline Sciamma, são os favoritos à Palma de Ouro de 2019, sendo que o novo dos irmãos Dardenne, “O jovem Ahmed”, foi recebido com controvérsia, em sua reflexão seca sobre o fundamentalismo.
Nesta terça-feira o festival vai enfim conferir o esperadíssimo “Era uma vez em Hollywood”, de Quentin Tarantino, com Margot Robbie encarnado a modelo e atriz Sharon Tate, morta em 1969, pela seita de Charles Manson. Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Al Pacino estão no elenco.
Cannes termina no dia 25, com a entrega de prêmios e a projeção de “Hors norme”, com Reda Kateb e Vincent Cassel.

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