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‘Infâmia’ inflama debate moral na Cinemateca do MAM

12 abr 2019 / Sem comentários / em Cinema


Rodrigo Fonseca
Baseado em texto teatral de Lillian Hellman, “Infâmia” (“The children’s hour”), de William Wyler (EUA, 1961), promete inflamar a telona da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) com reflexões morais nos últimos dias da mostra Alusões Homoeróticas do Cinema Clássico. O elenco é memorável: Audrey Hepburn, Shirley MacLaine, James Garner e Fay Bainter, indicada ao Oscar por esta produção de US$ 3,6 milhões. Na trama, as amigas Martha e Karen administram juntas um internato. No lugar, ao ser repreendida por uma mentira, uma estudante problemática tenta virar o jogo ao dizer para a avó que as duas têm um romance secreto. Quando o boato se espalha, a vida das educadoras se transforma para sempre. O evento é organizado pela Cinemateca, sob a curadoria de Ricardo Cota, em parceria com a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ), presidida por Ana Rodrigues. A projeção deste radical drama de Wyler será apresentada pelo crítico e psicanalista Luiz Fernando Gallego.

“Os Estados Unidos são um país puritano, racista e falsamente democrático. A seleção de filmes revela uma imensa hipocrisia e um projeto político que não é o de produzir o bem-estar das pessoas e sim controlar até mesmo os sentimentos e o livre-arbítrio, suposto fundamento maior das sociedades ditas liberais, que, em verdade, revelam-se assim autoritárias e discricionárias”, diz o pesquisador Hernani Hefner, especialista em preservação que cuida do acervo cinematográfico do MAM.
Neste sábado, o menu da retrospectiva Alusões Homoeróticas do Cinema Clássico resgata “Meu passado me condena” (“Victim”), de Basil Dearden (Reino Unido, 1961), cujo elenco traz Dirk Bogarde, Sylvia Syms e Dennis Price. A trama: após o suicídio de seu amante, o respeitado advogado Melville Farr arrisca a carreira e o casamento para confrontar uma rede de chantagem contra homossexuais.
Neste domingo, às 17h, a programação chega ao fim com “O médico & irmã monstro” (“Dr. Jekyll & Sister Hyde”), de Roy Ward Baker (Inglaterra, 1971), com Ralph Bates, Martine Beswick e Gerald Sim. Nele, a busca pelo elixir da vida eterna, leva o Dr. Henry Jekyll a uma fórmula que altera o gênero sexual.

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