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Língua portuguesa vira a vedete do Festival de Locarno.72

17 jul 2019 / Sem comentários / em Cinema

Cena de “A Febre”, de Maya Da-Rin


RODRIGO FONSECA
Apesar da luxuosa presença de “Era uma vez em Hollywood”, o novo Quentin Tarantino, e do ganhador da Palma de Ouro de 2019, o coreano Bong Joon-Ho, com “Parasite”, a 72ª edição do Festival de Locarno, que, de 7 a 17 de agosto, na Suíça, prestará homenagens à atriz Hilary Swank e ao diretor John Waters, tem como sua vedete maior a língua portuguesa, com direito a filme nacional em sua competição oficial. “A febre”, que Maya Da-Rin (de “Terras”) rodou em solo amazônico, sobre um vigia portuário de Manaus acossado por uma criatura, vai brigar por um dos mais prestigiosos troféus do cinema europeu, o Leopardo de Ouro. No páreo, ao lado dela, há uma trinca de cineastas portugueses: Basil da Cunha (que tem fortes links com a geografia suíça), com “O fim do mundo”; João Nicolau, com “Technoboss”; e a lenda Pedro Costa. Este entra na competição com o esperado “Vitalina Varela”, encarado como uma das mais instigantes promessas do evento. É um olhar sobre uma periferia afro-lusa, que joga na telona uma nova mirada para o universo já retratado por ele em “Juventude em marcha” (2006) e “Cavalo Dinheiro”, que deu ao lisboeta o prêmio de Melhor Diretor ali mesmo, em Locarno, há cinco anos. Caberá à diretora francesa Catherine Breillat, de “Romance” (1999), ser a presidenta do júri, que tem entre os filmes a serem avaliados, uma das sensações de Sundance. Importaram lá de Utah o badalado “The last black man in San Francisco”, com Danny Glover, pilotado pelo cineasta Joe Talbot.

Vai ter península ibérica na luta por láureas de Locarno também pelas fronteiras da Espanha, com o drama galego “Longa noite”, de Eloy Enciso. Documentarista respeitada, Maura Delpero, da Itália, sai à briga por láureas suíças como uma coprodução com a Argentina: “Maternal” (“Hogar”). Com uma nova safra de cineastas em ascensão, a Bulgária entra pesado nessa caça ao Leopardo com “Cat in the wall”, das diretoras Mina Mileva e Vesela Kazakova. Da Ásia vem uma possível surpresa japonesa: “Yokogao”, de Kôji Fukada, que saiu premiado de Cannes, em 2016, por “Harmonium”.


Vai ter uma dupla dose de Brasil na seleção de curtas-metragens Pardi di Domani, do festival mais importante da Suíça, com a animação “Carne”, de Camila Kater (que traz Helena Ignez em seu elenco) e com “Chão de rua”, de Tomás von der Osten. Vai ter ainda um exercício narrativo com duração de 23 minutos da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, chamado “Swinguerra”, na seção Moving Ahead. E, numa seara de retrospectivas, a seleção de 47 produções ligadas à representação das populações negras, chamada Shades of Black, dá espaço para “Abolição”, de Zózimo Bulbul (1988), e para “Amor maldito”, de Adélia Sampaio (1984). Os dois integram uma sessão que revisa o legado de Spike Lee com uma exibição de “Faça a coisa certa” (1989).

Dedicada a projeções de títulos potencialmente mais populares, a Piazza Grande de Locarno vai receber o ator americano Joseph Gordon-Levitt para apresentar o thriller “7500”, sobre um avião tomado por terroristas. A direção é de Patrick Vollrath. Na mesma seleção, a Suíça vai ganhar uma sessão da animação infantil “A famosa invasão dos ursos à Sicília”. Quem dirige esta fábula é um dos maiores autores de HQ da Europa, o italiano Lorenzo Mattotti: com € 11 milhões nas mãos, ele transformou um texto do escritor Dino Buzzati em fantasia filmada. Na trama, o Rei Urso invade uma cidade atrás de seu filhote, que conta com a ajuda de um mágico e de uma jovem para voltar à sua vida na natureza.
Quem abre Locarno este ano será a italiana Ginevra Elkann, com o drama “Magari”, e quem encerra será o japonês Kiyoshi Kurosawa, um mestre nipônico do horror, do suspense e da sci-fi, com o road movie “To the ends of the World”. Ganhador da Palma de Ouro em Cannes, a comédia de erros “Parasita”, do coreano Bong Joon-Ho, será exibida em projeção especial nas telas suíças, com um tributo a um de seus protagonistas, o ator Song Kang-ho.

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