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Não deixe de ver o show do Wolf Alice por aqui

Atração C6 Fest, a banda faz performance é teatral e glamourosa com destaque para Ellie Rowsell

por Robert Halfoun

O Wolf Alice não é a banda do ano no Brit Awards à toa. Faz bem o que faz — e, principalmente, como faz. Ao vivo, como eu vi no palco do Le Transbordeur, em Lyon, a banda esbarra na perfeição.

A performance é bastante teatral, com determinadas marcações de cena, misturadas a uma cenografia glamourosa. O pano de fundo é feito de fitas prateadas cintilantes, cujo brilho é muito bem explorado pelo jogo de luz. Em determinado momento, um único globo espelhado cria o efeito de ápice da apresentação.

Não bastasse, a execução do repertório baseado nos álbuns Blue Weekend e The Clearing (2025), no qual a banda leva seu soft rock a um nível realmente alto, é impecável. O baixista Theo Ellis havia comentado sobre como todos foram provocados a tocar melhor pelo produtor Greg Kurstin durante a gravação de The Clearing. Funcionou.

Acima de tudo e de todos, no entanto, está a performance de Ellie Rowsell, cantando como nunca, o que a coloca como uma das melhores vozes do rock no momento. Ela transita entre registros com precisão impressionante, sustentando cada mudança aparentemente sem esforço. E vai além: naturalmente se torna a figura central do show, completamente imersa na atmosfera criada pela banda. Conduz a plateia com gestos econômicos e uma postura despojada quando há espaço para isso, entre as músicas.

No total, o Wolf Alice toca 21 canções com uma coerência que dificulta dizer que alguma realmente se destaca. Fora do roteiro indie-pop, por exemplo, “Play The Greatest Hits”, na qual Ellie canta com um megafone, é barulhenta, energética no talo e funciona perfeitamente no contexto geral.

O resumo aqui, afinal, é o seguinte: o Wolf Alice faz um dos melhores shows de rock da atualidade. Vai arrebentar durante sua passagem pelo Brasil, no C6 Fest, em maio.