Laboratório Pop

Berlinale 2020: Garrel, a família e o mundo de hoje

23 fev 2020 / Sem comentários / em Cinema

O SAL DAS LÁGRIMAS

Myrna Silveira Brandão, de Berlim
Fotos de Maria Antônia Silveira Gonçalves e Divulgação

O veterano cineasta Phillippe Garrel é sempre lembrado por “Amores constantes”, considerado sua obra prima e que lhe deu o prêmio de melhor diretor em Veneza 2005. Esse posto está agora ameaçado com o que pode vir a ser seu definitivo trabalho – “O sal das lágrimas”, que está concorrendo ao Urso de Ouro nesta 70ª edição do Festival de Berlim.

O filme foi mostrado neste sábado (22) numa prévia para a imprensa, seguida de uma coletiva com o consagrado diretor, cuja família tem o DNA do cinema no sangue. Phillipe é filho do ator Maurice Garrel, irmão do produtor Thierry Garrel e pai do também talentoso Louis Garrel.

O filme – roteirizado pelo próprio diretor, Jean-Claude Carrière e Arlette Langmann – segue Luc (Logann Antuofermo) um estudante que vai a Paris fazer um exame de admissão e lá se apaixona por uma jovem de origem africana, Djemila (Oulaya Amamra). A paixão pela moça altera sua rotina e libera sentimentos que vão influir em sua relação familiar.
Brilhantemente filmado pelo perscrutador olhar de Garrel e sua intuição para a alma humana, o roteiro foca em conturbados relacionamentos de família com pano de fundo nas turbulências do mundo de hoje.

Na coletiva, Garrel disse que o filme relata a paixão que o jovem tem por seu pai e suas primeiras conquistas femininas. Definição simples assim, mas logo complementada com uma frase mais próxima do seu estilo.

“É um olhar honesto sobre a vida, sobre os sentimentos, sem compromisso com as demandas do mercado. Cinema pautado pelo imaginário, para libertar, é o que eu busco”, destacou o cineasta, revelando os diretores que o inspiraram a fazer o filme.

“Eu me inspirei muito em Fassbinder (R. W. ) e também em Godard (Jean-Luc). Eu quis fazer um filme moderno com roteiro clássico”, disse Garrel, acrescentando que as vozes em off foram usadas instintivamente pois são muito específicas do cinema.

“Não se tem elas no teatro, normalmente são utilizadas para expressar a visão do autor”, ressaltou o cineasta de 71 anos, em plena atividade, cuja carreira foi iniciada em 1968 com o tocante “Marie pela Memória”.

Ainda sem data de estreia no Brasil, “O sal das lágrimas” tem previsão de entrar no circuito francês em 8 de abril.

Não deixe de comentar!

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Útimas de Cinema

Útimos posts