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‘Burning Cane’ faz Veneza arder

29 ago 2019 / Sem comentários / em Cinema


RODRIGO FONSECA
Seção de estreia mundial do aclamado filme brasileiro “Domingo”, de Clara Linhart e de Fellipe Gamarano Barbosa, em 2018, a mostra Venice Days, vitrine do Festival de Veneza paralela à disputa pelo Leão de Ouro, trouxe o ganhador de Tribeca para suas fileiras: “Burning Cane”. Exibida no Lido na quarta-feira, após a projeção do filme oficial de abertua (“The truth”, de Hirokazu Koreeda), a produção americana, dirigida pelo jovem Phillip Youmans, ganhou, na seleção de ficção do evento nova-iorquino, troféus nas categorias Melhor Filme, Fotografia e Ator, dado a Wendell Pierce. É arrebatador o desempenho dele como um pastor evangélico abalado pela viuvez. O pregador encarnado por ele acaba sendo a figura central deste retrato das inquietações sociais afro-americanas. Sua narrativa monta um painel do cotidiano da Louisiana a partir de diferentes relações afetivas fraturadas. Youmans cria uma mirada para a dor nossa (e deles) de cada dia inspirado pela estética transcendentalista de Terrence Malick (de “A árvore da vida”). Quem abriu a Venice Days de 2019 foi o novo trabalho de Dominik Moll: “Only Beasts”, com Valeria Bruni Tedeschi. É um thriller sobre a luta de cinco suspeitos do sumiço de uma mulher, nos Alpes, para provar inocência.
Sob um sol suarento, Veneza comemorou ainda uma vitória para o Leão de Ouro de 2018: “Roma”. Produção com a grife Netflix, o longa-metragem do mexicano Alfonso Curarón (“Gravidade”) foi eleito o Filme do Ano na votação realizada pela Federação Internacional de Imprensa Cinematográfica, a Fipresci. A honraria será entregue a ele durante a cerimônia de abertura do 67º Festival de San Sebastián, no dia 20 de setembro, na Espanha. A decisão veio do voto de 618 críticos de diferentes países.

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