Laboratório Pop

Sonthar Gyal disseca a ópera da solidão

25 set 2019 / Sem comentários / em Cinema


RODRIGO FONSECA
Apesar da ardorosa torcida formada em torno da produção Polônia x Irlanda “The Other Lamb” e dos elogios para o drama brasileiro “Pacificado”, não há um favoritismo nítido acerca de que filme pode levar a Concha de Ouro de 2019, aqui de San Sebastián – mas especula-se, e muito, acerca da presença de um concorrente do Tibete entre os ganhadores: “Llamo and Skalbe”. A direção é de Sontha Gyal, cineasta chinês. Na trama, um casal apaixonado tem que abrir mão do sonho do matrimônio porque ele não completou seu divórcio legalmente e a ex pretende trazer problemas para os anseios românticos de seu antigo parceiro. Mas as razões disso não são movidas pelo egoísmo e sim por feridas profundas. A encenação de uma ópera vai atrapalhar ainda mais a relação entre eles.

“O povo do Tibete tem uma relação muito próxima com a Natureza, pois ela é o nosso patrimônio mais sólido e mais recorrente. Isso me levou a retratar essa história centrada em desconexões usando luz natural”, disse Gyal. “Todos os meus filmes têm como foco a solidão e a pressão que esta força afetiva exerce sobre os lações entre as pessoas. Venho de uma região que é grande demais. A distância geográfica se materializa na forma como nos relacionamos”.

Em paralelo à projeção de “Lhamo and Skalbe”, um desenho animado japonês arrebatou olhares e elogios em San Sebastián: “Weathering with you”, de Makoto Shinkai, candidato ao posto de maior bilheteria do ano em terras e telas da Ásia nos próximos meses. Assinado pelo mesmo realizador de “Your name” (2016), uma das animações de maior sucesso de bilheteria no Japão nesta década, o filme acompanha a paixão de um jovem repórter de uma revista de ocultismo por uma menina dotada do poder de alterar o clima e fazer a chuva parar. Esta noite é dia de outra animação: “Buñuel en el laberinto de las tortugas”, longa-metragem inspirado na HQ de Fermín Solis. Com direção de Salvador Simó, concorrido técnico de efeitos especiais de Hollywood, com filmes como “Mogli, o Menino Lobo” (2016) no currículo, este desenho sobre o jovem Buñuel ganhou o Prêmio Especial do júri no Festival de Annecy (a Cannes do setor), em 2018, além de uma láurea de melhor trilha sonora. Na trama animada por Simó, com base no quadrinho de Solis, o mítico cineasta é alvo de ataques da imprensa ao ser encarado como um herege o que prejudica seu trabalho.

Ainda entre as mostras paralelas, a comédia francesa de tom motivacional “Hors nome” (“Os especiais”) fez das telas do festival uma vitrine para algumas das imagens mais comoventes da indústria do cinema em 2019. Filme de encerramento da seleção de Cannes, em maio, está trama sobre educadores especializados em alunos autistas combina o talento de dois dos mais populares astros da França: Reda Kateb e Vincent Cassel, que fez “O Grande Circo Místico” no Brasil. A direção é de Éric Toledano e Olivier Nakache, dupla responsável por “Intocáveis”, visto por cerca de 20 milhões de pagantes em 2011, só em Paris e seus arredores.

San Sebastián termina neste sábado, quando o júri presidido pelo diretor irlandês Neil Jordan (“Entrevista com o vampiro”) decide que filmes serão premiados – e legisla sobre possíveis láureas para Sonthar Gyal. Antes da premiação, a cidade confere uma projeção de “Coringa”, de Todd Phillips, com Joaquin Phoenix no papel do arquiinimigo de Batman. O longa saiu do Festival de Veneza, em 7 de setembro, com o Leão de Ouro, e estreia mundialmente no dia 3 de outubro.

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