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Tem Mas Acabou vem com tudo: olho neles

O quarteto niteroiense é um dos nomes que precisamos ficar ligados em 2026

Por Laboratório Pop

Porque vamos falar agora de uma banda que lançou seu primeiro álbum em dezembro de 2024 e já anda dando muito o que falar no meio indie? Por que eles acabam de fazer um show foda no Circo Voador, no Rio. A estreia do Tem Mas Acabou no lendário palco carioca.

Daqui para frente, pode esperar, o bicho vai pegar real e o quarteto niteroiense é, definitivamente, um dos nomes que precisamos ficar ligados em 2026.

O Tem Mas Acabou surge em Niterói dentro de um circuito que mistura casas pequenas, coletivos e trânsito constante com o Centro do Rio. A formação se estrutura a partir de Lena Quadros (voz e guitarra), Andrew Romero (bateria e vocais) e Otávio Brunet (guitarras, vocais e produção) — núcleo que já circulava por outros projetos — e passa a operar como quarteto com a incorporação de Ian (baixo e vocais), ampliando arranjos e a presença de palco.

Antes do álbum, o projeto já tinha dois registros claros: a demo Coisas Verdes e Frescas (2024) e o single Caxiri, que funcionam como base estética do que viria depois. Esses materiais mostram uma banda que trabalha textura de guitarra, dinâmica de grupo e letra integrada à atmosfera — não canção centrada em refrão.

O disco Quintal consolida essa direção. São faixas curtas, estrutura enxuta e foco em construção sonora. Em vez de alternância verso-refrão tradicional, a banda usa progressão de camadas: guitarras que entram e saem, baixo sustentando repetição e bateria que privilegia pulso contínuo. O vocal aparece mais como elemento de textura do que como eixo narrativo isolado.
As referências que ajudam a situar o som são menos de gênero fechado e mais de campo: a psicodelia brasileira recente, o indie carioca dos anos 2000 e a tradição de bandas de ruído melódico — onde convivem shoegaze, noise e MPB alternativa. O resultado é um repertório que funciona melhor ao vivo do que em classificação de streaming.

Essa característica explica a sequência de aparições desde 2024: shows na Audio Rebel, Redoma e eventos organizados por coletivos, geralmente em line-ups com projetos como Nuvem Guia, Yuri e os Terráqueos e outros nomes do mesmo circuito. O padrão é claro: circulação constante, plateias pequenas mas recorrentes e construção de público por repetição de palco.

O material ao vivo lançado em 2025, disponível apenas na página da banda no Bandcamp reforça esse eixo. Não se trata apenas de registro — funciona como documento de arranjo, mostrando músicas mais densas, improvisação controlada e interação entre integrantes. Para uma banda desse perfil, isso pesa mais do que números de stream.

Outro elemento consistente é a comunicação visual. Não é possível falar em Tem Mas Acabou e não citar os pôsteres de shows que seguem uma lógica de design autoral: tipografia dominante, colagem, cores contrastantes e estética xerox/noise. Não são peças padronizadas de agenda; funcionam como extensão estética do projeto e ajudam a fixar o nome na cena.

No indie de Niterói, o Tem Mas Acabou ocupa uma posição específica: projeto de geração recente que já nasce com consciência visual, estratégia de palco e repertório fechado em álbum. Niterói historicamente produz projetos com esse perfil — desenvolvimento local, validação no Rio e expansão gradual — e o grupo se encaixa nessa lógica.

O que a estreia no Circo Voador sinaliza, portanto, não é virada de linguagem, mas mudança de escala. A banda que vinha operando em circuito passa a aparecer em programação de maior visibilidade sem alterar proposta estética. Deixa de aparecer apenas em line-ups e passa a circular como nome próprio.

Hoje, com um disco lançado, registro ao vivo, circulação contínua e identidade visual reconhecível, o Tem Mas Acabou deixa de aparecer mais em composições de line-ups e passa a circular como nome próprio. É nesse ponto que a conversa sobre a banda começa de fato dentro do indie brasileiro.