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Mac De Marco traz turnê de Guitar ao Brasil

Ele passa por várias capitais e confirma o país como um de seus maiores públicos

Por Laboratório Pop

Quando Guitar saiu em agosto de 2025, ele foi recebido quase como um retorno ao Mac DeMarco “clássico”. A razão era simples: os dois lançamentos anteriores haviam sido deliberadamente excêntricos.

Em 2023, o músico publicou primeiro o álbum instrumental Five Easy Hot Dogs e, poucos meses depois, One Wayne G, uma coleção de 199 faixas gravadas em casa, mais próxima de um arquivo pessoal do que de um disco convencional. Guitar, ao contrário, recolocava DeMarco em terreno familiar — canções curtas, guitarras limpas, melodias suaves e aquela atmosfera doméstica que marcou sua obra desde Salad Days.

Essa volta ao formato de canções ajuda também a entender o lugar que Mac DeMarco ocupa na história recente do indie. Desde o início da década passada, ele se tornou uma das figuras mais reconhecíveis da chamada geração “slacker” do rock alternativo — artistas que combinam produção caseira, estética lo-fi e uma persona deliberadamente anti-estrela.

Discos como 2 e Salad Days consolidaram um estilo imediatamente identificável, feito de guitarras cristalinas, andamento relaxado e melodias nostálgicas.

Mais do que inovar radicalmente a linguagem do rock, DeMarco ajudou a definir um modelo de artista independente do século 21: grava em casa, produz seus próprios discos e circula num ecossistema global de streaming, festivais e público jovem conectado.

É a partir desse disco que se organiza a turnê que chega agora à América Latina. Nos concertos, porém, o álbum funciona mais como ponto de partida do que como eixo rígido do repertório.

O formato do show costuma misturar algumas músicas novas com as canções que consolidaram sua reputação — “Chamber of Reflection”, “Ode to Viceroy”, “My Kind of Woman” e “Salad Days”. No palco, DeMarco mantém o mesmo espírito informal que construiu sua persona artística: interação constante com a plateia, momentos improvisados e um clima de apresentação quase doméstica, apesar do tamanho das casas onde se apresenta.

O Brasil ocupa um lugar particular nesse roteiro. Ao longo da última década, o país tornou-se um dos maiores mercados de streaming de Mac DeMarco fora do eixo anglófono.

Em plataformas como o Spotify, o Brasil aparece frequentemente entre os cinco países com maior número de ouvintes mensais do artista, com milhões de reproduções concentradas em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Canções como “Chamber of Reflection” e “My Kind of Woman” acumulam aqui números comparáveis aos de mercados tradicionais do indie, impulsionadas por playlists algorítmicas e pela circulação constante dessas faixas em vídeos e conteúdos de redes sociais.

Essa presença digital ajuda a explicar um fenômeno relativamente raro no circuito alternativo: uma turnê brasileira extensa para um artista indie internacional, passando por várias capitais e não apenas por São Paulo.

O público que aparece nesses shows é majoritariamente jovem — universitários e ouvintes que cresceram já dentro da cultura de streaming — e que encontrou na música de DeMarco uma trilha sonora discreta, melancólica e cotidiana.

Para quem vai aos concertos, portanto, a expectativa é menos a de ouvir um disco específico e mais a de assistir a um retrato completo de uma carreira que marcou o indie da década passada. Guitar fornece o impulso recente, mas o espetáculo funciona sobretudo como uma celebração de todo o repertório que transformou Mac DeMarco em um dos nomes mais reconhecíveis do indie contemporâneo — e, curiosamente, em um artista com uma das bases de público mais fiéis do gênero no Brasil.

Mac DeMarco no Brasil

• 3/4 – Rio de Janeiro –Vivo Rio
• 5/4 – São Paulo – Espaço Unimed
• 8/4 – Brasília – Arena BRB Hall
• 10/4 – Recife – Classic Hall
• 12/4 – Belo Horizonte – BeFly Hall
• 14/4 – Curitiba – Live Curitiba
• 15/4 – Florianópolis – Stage Music Park
• 16/4 – Porto Alegre – Pepsi On Stage